A Urbia divulgou planos para transformar a antiga Serraria do Ibirapuera, no Parque Ibirapuera, em um espaço com área coberta voltada para atividades comerciais, como restaurantes, lojas e até academia, mantendo parte do espaço para uso público. A autorização depende da aprovação do Conpresp, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade.
A Serraria está associada à obra de Burle Marx, com a praça ao lado batizada em homenagem ao paisagista. Em parecer do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), foram apresentados argumentos contrários à reforma, afirmando que a intervenção prejudica a edificação e o conjunto paisagístico ao redor, ressaltando que Burle Marx já usou a estrutura para proteger intempéries e oferecer abrigo, e que o espaço não é simplesmente ocioso.
Segundo o projeto, cinco vãos do espaço coberto ficariam livres para fruição pública, enquanto sete seriam ocupados por atividades comerciais, sanitários, escadas e elevador, além de áreas para circulação e para o espelho d’água. A maior transformação ocorreria no nível superior com a criação de uma laje, resultando em ocupação estimada de 89% do total — percentuais que o DPH classifica como incompatíveis com as definições do plano e com o uso original do espaço.
Em 11 de fevereiro, a coordenadora geral do DPH determinou que a questão fosse apreciada pelo colegiado do Conpresp, observando que o Plano Geral de Intervenção pode, desde que justificado, ser revisto. Na segunda-feira seguinte (23/2), o projeto foi retirado da pauta do Conpresp, o que foi visto como alívio por quem é contrário à intervenção. Vereadores também manifestaram-se contra a proposta.
Narea de reações, o senador Nabil Bonduki (PT) criticou o projeto por não respeitar a permeabilidade, a ambiência e a arquitetura do local, além de não atender às recomendações do IPHAN e do próprio plano de intervenção. A vereadora Renata Falzoni (PSB) pediu celeridade no tombamento da Serraria e da Praça Burle Marx, destacando que o espaço hoje abriga atividades tranquilas de contemplação, e que o comércio pode impactar o uso comunitário do parque.
A Urbia afirma ter revisado e aprimorado o projeto, dizendo que as intervenções valorizam o patrimônio histórico, qualificam o uso público e devolvem protagonismo a uma área subutilizada do parque, compatíveis com as diretrizes de preservação existentes. A empresa sustenta que o conjunto proposta atende às observações já recebidas e está alinhado com o restauro da Praça Burle Marx.
A Prefeitura de São Paulo informa que a pauta sobre a reforma da Serraria e da Praça Burle Marx será discutida em uma próxima reunião do Conpresp, com análise do parecer do DPH e deliberação ainda a definir. A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa afirmou que a deliberação dependerá dessa avaliação técnica.
Frequentadores do parque opinam de forma ambivalente. Um professor de educação física e tai chi chuan ressalta o espaço coberto e agradável, temendo, porém, que mudanças tragam interferência no uso atual. Uma gerente de marketing aponta a necessidade de espaços vazios para estar em contato com a natureza, temendo que o comércio invasivo reduza esse vínculo com o parque.
O que diz a Urbia A concessionária afirma ter orgulho de apresentar o projeto de requalificação da antiga Serraria, dando continuidade ao restauro da Praça Burle Marx e garantindo o uso público bem definido, sem descaracterizar o conjunto tombado. Alega ter incorporado ajustes para manter a função histórica e o protagonismo da área.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa informou que a pauta referente à reforma da Serraria e da Praça Burle Marx será discutida em uma próxima reunião do Conpresp, com a análise do parecer do Departamento do Patrimônio Histórico. A pasta ressaltou que a deliberação dependerá desse exame técnico e da validação de diretrizes de preservação.
O espaço aguarda a decisão do Conpresp, que poderá confirmar ou ajustar as condições de uso público e a viabilidade do novo layout, mantendo o equilíbrio entre preservação histórica, acesso da população e dinâmica econômica do parque.
E você, o que pensa sobre a possível transformação da Serraria do Ibirapuera em espaço com mais atividade comercial? Acredita que a intervenção respeita a história do local ou que o uso público protegido deve prevalecer? Compartilhe sua opinião nos comentários.










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