Deputado fake usava “pendrive” para bloquear sinal de tornozeleira e curtir balada

Escrito por: Diógenes Cunha

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Um homem investigado por fraudes eletrônicas foi flagrado usando um dispositivo parecido com um pendrive acoplado à tornozeleira eletrônica para bloquear o sinal de monitoramento, com o objetivo de sair de casa à noite sem que a central penitenciária registrasse o descumprimento do horário. a descoberta ocorreu durante mandado de busca e apreensão em Goiânia, dentro da Operação Falsa Tribuna, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

O investigado cumpre pena de 21 anos de reclusão por roubo, em regime semiaberto, e faz uso obrigatório da tornozeleira eletrônica como condição judicial. Segundo apurado, o equipamento apreendido possui características compatíveis com bloqueadores ou interferidores de sinal, capazes de impedir ou dificultar a transmissão de dados de geolocalização à central responsável pelo acompanhamento.

Durante as diligências no imóvel, os policiais localizaram e apreenderam o dispositivo, que estava devidamente acondicionado e sob posse direta do investigado, indicando domínio e disponibilidade imediata para uso. A perícia técnica será realizada para aferir a capacidade de bloqueio e eventual compatibilidade com os sistemas de monitoramento utilizados na execução penal.

Além da suspeita de fraude no monitoramento, o homem foi flagrado tentando destruir provas durante a ação policial. Vídeo obtido pela coluna Na Mira mostra policiais entrando no apartamento enquanto o investigado utilizava diversos celulares e chips telefônicos. A prática sugere planejamento para dificultar a investigação.

Segundo as investigações, o homem é apontado como “gerente” de uma organização criminosa especializada em golpes virtuais. O grupo criava perfis falsos de deputados e ex-deputados que atuam em Brasília para enganar vítimas e obter vantagens financeiras ilícitas.

Transferência via Pix

A operação contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO), por meio da Delegacia Especial de Crimes Cibernéticos. Os investigadores afirmam que o grupo utilizava imagens e informações públicas de parlamentares para criar contas fraudulentas em aplicativos de mensagens e redes sociais. A partir dessas contas, entravam em contato com vítimas simulando situações emergenciais — como acidentes ou problemas de saúde — e solicitavam transferências imediatas via Pix.

O uso da identidade de autoridades conferia maior credibilidade à fraude, aumentando o poder de persuasão dos criminosos. Entre os crimes investigados estão:

  • Falsa identidade (art. 307 do Código Penal);
  • Estelionato mediante fraude eletrônica (art. 171, § 2º-A, do CP);
  • Associação criminosa (art. 288 do CP);
  • Lavagem de capitais (Lei nº 9.613/1998).
  • Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

A Operação Falsa Tribuna recebe esse nome em alusão ao uso fraudulento da imagem de parlamentares — cuja atuação na “tribuna” simboliza autoridade — para enganar vítimas e obter vantagens financeiras ilícitas.

Caso avancem as investigações e a perícia confirme a finalidade ilícita do bloqueio de monitoramento, o caso pode caracterizar falta grave na execução da pena, além de eventual responsabilização penal autônoma.

Seus interessados: compartilhem suas opiniões sobre as medidas de combate a fraudes digitais, a importância da fiscalização de monitoramento eletrônico e os desafios na identificação de golpes que exploram identidades públicas. Deixem seus comentários abaixo para continuarmos juntos debatendo o tema.

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