Saiba o que levou o Paquistão e o Afeganistão a entrar em uma ‘guerra aberta’

Escrito por: Diógenes Cunha

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Na noite de quinta-feira (26), o Paquistão anunciou, via X (ex-Twitter), que entraria em guerra aberta contra o Afeganistão, afirmando que a paciência do país chegou ao limite. Pouco depois, a capital afegã, Cabul, e as províncias de Kandahar e Paktika foram alvo de bombardeios.

A escalada acontece em um contexto de tensões crescentes, com Islamabad acusando o Afeganistão de abrigar o grupo Talibã paquistanês (TTP). Cabine afegã, por sua vez, nega as acusações e ressalta que não apoia ações contra o Paquistão.

Desde outubro, o confronto resultou em mortes e feridos, com as passagens da fronteira entre os dois países ficando fechadas. A ofensiva paquistanesa foi apresentada como resposta às agressões do exército afegão contra suas tropas, enquanto a incursão do Afeganistão foi descrita como retaliação aos ataques aéreos ocorridos nos dias anteriores.

A relação entre Paquistão e Afeganistão é histórica e complicada. Islamabad apoia o regime afegão em certos momentos, o que gerou desconfiança de Cabul. A aproximação entre o Afeganistão e a Índia também é citada por analistas como fator que aumenta a tensão entre as duas nações vizinhas.

Segundo Rodrigo Medina, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o conflito não tende a ser longevo, em virtude da grande assimetria de poder entre os dois lados. O Talibã mantém cerca de 170 mil soldados, enquanto o Paquistão opera com aproximadamente 600 mil efetivos, além de milhares de veículos blindados e aeronaves. O Paquistão é uma potência nuclear desde os anos 1950, com capacidade militar consolidada.

Para Medina, a diferença de poder implica que o confronto não deverá evoluir para uma guerra de longo prazo, ainda que o choque atual tenha potencial para reconfigurar a região caso haja mudanças estratégicas ou novas alianças relevantes.

O cenário atual deixa as perspectivas extremamente incertas. A comunidade internacional acompanha com cautela os desdobramentos, que podem exigir atuação diplomática para evitar uma escalada maior e impactos humanitários significativos na região.

Como você vê o desdobramento desse conflito entre Paquistão e Afeganistão? Deixe sua opinião nos comentários e traga seus pontos de vista sobre as possíveis consequências para a região e o equilíbrio de poder no corredor sul-asiático.

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