SP: crescem casos de policiais civis envolvidos em violência doméstica

Escrito por: Diógenes Cunha

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A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo registrou 300 procedimentos instaurados entre 2022 e 2025 por violência doméstica atribuída a policiais civis. O volume equivale a uma ocorrência a cada cinco dias e revela um problema persistente dentro da corporação, que, segundo integrantes do próprio órgão de controle interno, ainda é subnotificado.

Dados oficiais indicam que a maior parte das ocorrências envolve violência entre parceiros ou familiares, com ações que vão desde apurações preliminares até processos administrativos. A corregedoria também reforça que o aumento pode, em parte, refletir maior incentivo à denúncia, mas não exclui a hipótese de casos ficarem de fora das estatísticas.

Um membro ouvido sob sigilo pela corregedoria afirmou que a violência envolvendo policiais tende a ser menos denunciada por receio de retaliação e constrangimento de procurar delegacia, onde colegas do agressor atuam. Esse temor funciona como uma barreira adicional para as vítimas.

Essa leitura leva a instituição a adotar medidas inéditas, como a instalação de tornozeleiras eletrônicas em policiais civis investigados por violência doméstica e sujeitos a restrições judiciais. A iniciativa seria aplicada com base na necessidade de distanciamento da vítima e, segundo o Metrópoles, já havia sido prevista para dois casos, considerados marco na disciplina da polícia paulista.

Entre os episódios que ajudaram a expor o problema está o caso do policial Alessandro Ferrante. Segundo registros da Corregedoria, a apuração começou após denúncia de agressão contra a esposa, também policial. Em diligências, foram encontrados em um apartamento ligado a ele mais de R$ 2 milhões em dinheiro e cerca de 20 armas de fogo, das quais apenas uma não tinha registro.

O processo aponta que Ferrante já havia sido condenado anteriormente por lesão corporal contra uma ex-companheira, o que o coloca como reincidente em casos de violência doméstica. A descoberta do montante milionário abriu frentes de investigação: houve inquérito policial para possível lavagem de dinheiro e, posteriormente, inquérito civil por enriquecimento ilícito.

Diante do aumento de ocorrências e das subnotificações, a Corregedoria da Polícia Civil criou um núcleo especializado para tratar de violências domésticas envolvendo agentes da corporação. A meta é ampliar a proteção às vítimas e acompanhar com mais rigor o cumprimento de medidas judiciais.

Os 300 procedimentos registrados em quatro anos representam o retrato oficial, mas a instituição reconhece que não capturam toda a dimensão do problema. Fontes ouvidas pelo Metrópoles indicam que o enfrentamento da violência doméstica exige mais do que estatística: exige controle efetivo sobre quem deveria zelar pelo cumprimento da lei.

O tema segue em debate, com a esperança de que medidas como o monitoramento eletrônico e o fortalecimento de núcleos dedicados ajudem a proteger vítimas e a assegurar que a disciplina interna acompanhe de perto casos graves. Compartilhe sua opinião nos comentários sobre o tema e as ações da corregedoria.

Como você avalia as iniciativas da Corregedoria para enfrentar a violência doméstica envolvendo policiais? Deixe seu comentário e participe da conversa.

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