Buscas em Juiz de Fora estão encerradas; moradores seguem fora de casa

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Buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, foram encerradas, informou a Polícia Civil de Minas Gerais. O balanço aponta 72 mortos no total, com 65 corpos encaminhados ao IML entre Juiz de Fora e Ubá. Há ainda uma pessoa desaparecida em Ubá, e as buscas devem seguir apenas para esse caso específico.

Pietro, 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28) no bairro Paineiras, encerrando uma etapa das buscas que mobilizaram moradores e equipes de resgate. A região de Ubá não ficou de fora das ações, com diligências concentradas na tentativa de confirmar a situação de outras vítimas.

As chuvas provocaram deslizamentos em Juiz de Fora, principalmente no Bairro Paineiras e no Morro do Cristo, deixando imóveis vulneráveis e desalojados. A Defesa Civil orientou a retirada das famílias por risco de novos desmoronamentos, principalmente pela instabilidade na encosta da região.

Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento de terra do Morro do Cristo, Paineiras

Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 – Deslizamento no Morro do Cristo, Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Guilherme Belini Golver, engenheiro civil desempregado, morava em um casarão atingido pelo deslizamento. Ele não estava em casa no momento, mas descreveu a cena: a água parecia um rio. Ao retornar para buscar a filha, encontrou a família sob risco e precisou sair. A Defesa Civil pediu que saíssem por precaução, deixando a casa vulnerável à nova possibilidade de deslizamentos.

Desde então, a família não pode permanecer no imóvel. Guilherme afirma que a Defesa Civil ainda não deu um parecer definitivo sobre a situação dos prédios, e o grupo segue sem acesso para retirar documentos ou pertences. O desalento é grande: “a gente está sem nada, sem comida e sem dormir direito”, relatou.

Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento no Morro do Cristo Paineiras

Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 – Deslizamento no Morro do Cristo, Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Entre os moradores, também houve relatos de falecimento: um policial penal que morava no prédio foi morto durante o desabamento. Em um dos apartamentos, três imóveis de uma mesma família foram atingidos; um morador, Paulo Barbosa Siqueira, 25 anos, estava fora no momento do deslizamento, mas relatou que os moradores precisaram criar uma rota de fuga entre apartamentos para escapar. A tragédia tirou a vida de um policial penal que morava ali há pouco tempo.

Com os imóveis interditados por risco estrutural, os moradores aguardam autorização para entrar e retirar documentos e pertences. A situação é de grande dificuldade: “estamos sem nada, dormindo e comendo dificilmente”, contou um morador que pediu para não ser identificado. Há também relatos de saques ocorrendo nas madrugadas, quando o fluxo de pessoas diminui.

Os deslizamentos atingiram dois pontos próximos à Paineiras, com danos estruturais significativos em áreas de classe média. Enquanto uma parte da cidade começa a se recompor, a outra encara a perda de familiares e a incerteza sobre o retorno às casas. A situação reforça a necessidade de assistência rápida e contínua às famílias afetadas.

Este episódio ressalta como a cidade de Juiz de Fora e a região demandam coordenação entre Defesa Civil, bombeiros, Polícia e assistência social para apoiar moradores, reconstruir infraestrutura e prevenir novos desastres. A população aguarda medidas claras das autoridades para restabelecer a rotina e a segurança.

Se você tem informações, relatos ou perguntas sobre a situação em Juiz de Fora e Ubá, compartilhe nos comentários abaixo. Sua visão pode contribuir para entender melhor os impactos da tragédia e as ações em curso, ajudando leitores e autoridades a traçar caminhos de recuperação mais rápidos e eficientes.

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