Dennis Carvalho, diretor e ator que ajudou a moldar a televisão brasileira, morreu neste sábado, dia 28, no Rio de Janeiro, após um longo período de problemas de saúde. Iniciou a trajetória artística aos 11 anos, ao fazer um teste na antiga TV Paulista para a novela Oliver Twist — mas Osmar Prado ficou com o papel principal. Em 1968 ingressou na TV Tupi, participou de teleteatros e da novela Antônio Maria, e, nos anos 70, consolidou uma carreira que incluiu teatro, óperas televisivas e a estreia como diretor em Sem Lenço, Sem Documento (1977).
Como ator, Carvalho integrou elencos de novelas marcantes como Roque Santeiro, Dancin’ Days, Pecado Capital, Vale Tudo, O Meu Pé de Laranja Lima, O Casarão, Brilhante e Brega & Chique. Na direção, passou a consolidar uma longa parceria criativa com Gilberto Braga, dirigindo a maior parte de seus trabalhos na televisão, incluindo Eu Prometo, Corpo a Corpo, Roda de Fogo, Explode Coração, Fera Ferida, Celebridade e Paraíso Tropical, além de minisséries como Anos Rebeldes e Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor. Também foi um dos diretores do programa Sai de Baixo.
Carvalho enfrentou censura em Malu Mulher, que tratava de temas polêmicos — como aborto, drogas e homossexualidade — e mostrava Regina Duarte como uma mulher que cuida da própria vida sem marido. A produção consolidou-o como um dos diretores mais influentes da TV brasileira, e ele destacava a missão de formar novos talentos e contribuir com o meio em que trabalhava. Em 2023, ele passou por um período de saúde grave, ficando 20 dias em coma devido a septicemia e embolia pulmonar, o que exigiu cirurgia para a colocação de um marca-passo.
Entre os bastidores, o diretor ainda colecionou curiosidades: em 2019, revelou no Lady Night que gostava de pregar peças nos atores; e, em Vale Tudo, houve uma alteração de última hora no desfecho da novela: Leila (Cassia Kiss) acabou dando a morte de Odete Roitman, após o segredo ter sido revelado pela imprensa. Em paralelo, Carvalho participou de grandes trabalhos de dublagem, sendo a voz do Roger “Race” Bannon em Jonny Quest, do Capitão Kirk em Jornada nas Estrelas e de Jerry em O Túnel do Tempo, além de ser a voz de Rusty em Rin-Tin-Tin.
Carvalho também teve uma ligação forte com o teatro: aos 20 e poucos anos estreou em Hair (1970), via Aracy Balabanian; em 1975 assinou com a Globo, abrindo caminho para atuação e direção. No palco, inaugurou como diretor em Elis – A Musical (2013) e, em 2022, dirigiu O Clube da Esquina; em 2024, voltou a Elis – A Musical, em uma versão comemorativa em São Paulo. O artista ainda participou de projetos como Babilônia (2015) e Segundo Sol (2018).
O legado de Dennis Carvalho fica nas obras que ajudaram a moldar a televisão, bem como na sua visão de formar novas gerações de diretores e atores. E você, qual obra ou memória de Dennis Carvalho mais marcou? Compartilhe nos comentários a sua visão sobre o impacto dele na cultura brasileira.

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