Minutos após Donald Trump anunciar que os Estados Unidos e Israel teriam iniciado uma “grande operação de combate” contra o Irã, o X (antigo Twitter) ficou tomado por publicações enganosas sobre os ataques. A WIRED analisou centenas de postagens, muitas com milhões de visualizações, que distorciam locais, datas e a dimensão das ações militares. Em vários casos, vídeos mostravam ações antigas, reutilizadas fora de contexto.
Entre os exemplos identificados, houve um vídeo que dizia mostrar mísseis cruzando o céu de Dubai; na verdade, tratava-se de ataques iranianos contra Tel Aviv em outubro de 2024, mas o conteúdo já havia ultrapassado 4,4 milhões de visualizações. Outro material afirmava retratar uma defesa árabe interceptando uma aeronave israelense, com dezenas de perfis repetindo a história, sem registros confiáveis de derrubamento no último sábado.
Palm Jumeirah. the city of #Dubai, United Arab Emirates right now 💀#dubaiattack pic.twitter.com/bj40Fn4cXM
— TRISHUL (@TrishulxIN) February 28, 2026
Em outro caso, um perfil que se apresenta como especialista em inteligência de código aberto afirmou que seis mísseis hipersônicas iranianos teriam atingido o porto de Haifa, mas o vídeo utilizado mostrava um bombardeio ao Ministério da Defesa em Damasco, ocorrido no ano anterior. Além disso, imagens geradas por IA apareceram como evidência de ataques, como uma suposta destruição de um radar americano no Catar, sem confirmação de fatos no terreno.

Muitas postagens com desinformação vieram de contas verificadas
A análise aponta que quase todas as postagens mais virais partiram de contas com selo azul — perfis que pagam pelo serviço premium da plataforma e podem monetizar o engajamento. Embora algumas publicações tenham recebido notas de moradores corrigindo as informações, o conteúdo permanece disponível.
Desde que passou ao controle de Elon Musk, o X tem sido apontado como ambiente propício à circulação de desinformação, especialmente em momentos de crise internacional. Episódios anteriores, como a guerra entre Israel e Hamas e protestos nos Estados Unidos, também tiveram volumes expressivos de conteúdo impreciso ou manipulado.
O X foi procurado pela WIRED, mas não se manifestou.
Este episódio evidencia como a desinformação pode ganhar velocidade em plataformas de hiperconexão, aproveitando conteúdos antigos,contextos redefinidos e recursos de IA para parecerem verdadeiros. Ficar atento a fontes confiáveis e checar dados é essencial em tempos de tensão internacional.
E você, o que tem visto sobre esses temas nas redes? Compartilhe sua leitura nos comentários e conte se já verificou a veracidade de conteúdos que parecem ultrarrápidos ou sensacionalistas.

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