Um estudo científico divulgado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) aponta que bactérias podem estar presentes no interior dos cálculos renais de oxalato de cálcio, desafiando a visão de que essas pedras surgem apenas por processos químicos na urina e abrindo caminho para novas estratégias de prevenção e tratamento.
Publicado em 26 de janeiro, o estudo analisou a estrutura interna de cálculos removidos por cirurgia e encontrou biofilmes bacterianos na parte mineral das pedras, indicando que microrganismos podem participar da formação dessas estruturas.
Entre as descobertas está que 17 de 22 pedras analisadas continham bactérias viáveis, ou seja, microrganismos capazes de se multiplicar. Espécies como Escherichia coli, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis e Staphylococcus epidermidis foram identificadas, e em mais de 30% das amostras houve mais de uma espécie presente.
Os pesquisadores também observaram que a estrutura das pedras não é uniforme: há camadas alternadas de material orgânico e cristais minerais. Em áreas com mais material orgânico, os cristais são menores; nas regiões dominadas por minerais, crescem mais. Esse padrão sugere que componentes biológicos podem influenciar o ritmo e o tamanho do crescimento das pedras.
Uma hipótese é que o DNA liberado por bactérias presentes no interior da pedra ajude a atrair cálcio na urina, facilitando a formação de cristais de oxalato de cálcio que dão origem aos cálculos.
A presença de bactérias dentro das pedras pode explicar a recorrência de cálculos, já que os microrganismos podem ficar protegidos em biofilmes. Durante procedimentos como a litotripsia, a pedra pode se fragmentar e liberar essas bactérias, potencialmente favorecendo infecções urinárias pós-tratamento e a formação de novos cálculos.
Os autores defendem que cálculos de cálcio podem ser estruturas híbridas formadas por componentes minerais e biológicos. Embora fatores como proteínas urinárias e concentração de sais continuem relevantes, a presença bacteriana pode ter um papel mais significativo do que se pensava, abrindo novas possibilidades de pesquisa e de estratégias de prevenção e tratamento.
Essa descoberta sugere que as microrganismos devem ser considerados no entendimento e no manejo de cálculos renais, ampliando o foco para além dos aspectos químicos da urina.
E você, já conhecia essa relação entre bactérias e cálculos renais? Compartilhe sua opinião ou experiências nos comentários.

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