TJD-SP suspende Gustavo Marques por 12 jogos após ofensas de cunho machista contra árbitra em São Paulo

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O Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) puniu o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, com 12 partidas de suspensão e multa de R$ 30 mil, em decisão proferida na tarde desta quarta-feira (5). A sanção deve-se a declarações contra a árbitra Daiane Muniz ao fim da participação do clube no Campeonato Paulista, e vale apenas para competições organizadas pela federação estadual.

A condenação tem base nos artigos 243-G e 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que tratam de atos discriminatórios e ofensas à honra. O Bragantino informou que não emitirá novos comentários sobre a decisão, entendendo ter já expressado sua posição institucional sobre o episódio.

O episódio ocorreu no dia 21 de fevereiro, após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo. Na saída do gramado, o zagueiro questionou a escala da arbitragem da Federação Paulista de Futebol para as quartas de final.

“Primeiramente, eu quero falar da arbitragem porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, afirmou em entrevista à TNT Sports Brasil.

“Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa se estou falando algo para as mulheres”, completou o jogador.

Ainda na zona mista do estádio, Gustavo Marques procurou os veículos de imprensa para se retratar. O atleta afirmou ter conversado pessoalmente com Daiane Muniz e sua assistente após o ocorrido.

“Quero vir aqui a público para pedir perdão para todas as mulheres pela minha fala. Eu sei que eu sou ser humano, todo ser humano erra. Naquele momento, eu estava com a cabeça quente, estava nervoso, falei coisa que eu não deveria. Também fui à Daiane, pedi perdão para ela. Ela estava com uma assistente, também pedi perdão para ela, porque ela também é mulher. Acho que eu errei de ter falado”, disse.

O zagueiro mencionou a reação de seus familiares diante da repercussão do caso.

“Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do Brasil, do mundo. Até minha mulher me xingou também pela minha fala. Minha mãe também, todo mundo já me ligou, falou que eu não deveria falar. Estou sendo homem, estou sendo ser humano de vir aqui pedir perdão pela minha fala. E todo ser humano erra. Então, eu vi que eu errei.”

Sobre o diálogo com a árbitra, ele completou: “Ela aceitou meu perdão. Falou para tomar cuidado porque tem mulheres que não vão aceitar. Ela viu que eu estava nervoso, triste e amargurado.”

Antes da decisão, o Bragantino já havia aplicado punições internas ao jogador, com corte de 50% do salário e exclusão da relação de atletas por uma partida do Brasileirão. O clube destinou o valor retido à ONG Rendar, que presta auxílio a mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. Com a nova sentença, o zagueiro inicia o cumprimento da suspensão nas próximas rodadas dos torneios estaduais.

O Bragantino afirmou que não emitirá novos comentários sobre o caso, mantendo a posição institucional já apresentada.

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