Após o Pentágono classificar a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos, a Amazon respondeu que continuará oferecendo Claude, o IA da Anthropic, aos clientes da AWS. A AWS manterá Claude para cargas de trabalho que não envolvam o Departamento de Guerra (DoW); para as cargas que envolvem o DoW, a empresa apoiará a transição para alternativas executadas na AWS.
A Amazon se junta a Microsoft e Google, que também atualizaram seus clientes sobre a disponibilidade do Claude. A Microsoft informou que oClaude permanece acessível em produtos sem relação com o DoD, e o Google fez o mesmo na manhã de sexta-feira. A Amazon é uma das maiores investidoras da Anthropic, com investimentos significativos desde 2023, e mantém forte relação comercial com a startup.

A AWS continua sendo a principal parceira de nuvem e de treinamento da Anthropic. A empresa investe pesado em infraestrutura, incluindo o uso de 500 mil chips personalizados Trainium 2, parte do campus de data centers da AWS batizado de Projeto Rainier. O custo desse ecossistema está em torno de US$ 11 bilhões (R$ 57,6 bilhões).
O Claude fica disponível na AWS por meio do AWS Bedrock, acessível via GovCloud, região de nuvem dedicada para dados sensíveis e fluxos regulatórios. Em meio a contratos bilionários com o governo dos EUA, a AWS já destinou, em novembro de 2025, cerca de US$ 50 bilhões (R$ 262,2 bilhões) para infraestruturas de IA para clientes governamentais, com mais de 11 mil agências sob seu guarda?chuva.
Anthropic vs Pentágono: linha do tempo
11 de julho de 2024: aAnthropic firmou parceria com a Palantir para integrar Claude à Palantir AIP, buscando uso seguro da IA por agências de inteligência e defesa dos EUA.
14 de julho de 2025: o Pentágono concedeu à Anthropic um contrato de prototipagem no valor de US$ 200 milhões. O objetivo era desenvolver capacidades de IA de fronteira para a segurança nacional. OpenAI e xAI também receberam contratos similares nessa época.
Janeiro de 2026: memorando da Defesa exigiu cláusula de uso lícito em contratos de IA, com prazo de 180 dias. A medida entrou em conflito direto com políticas da Anthropic, que proíbem vigilância doméstica massiva ou armas autônomas.
24 de fevereiro de 2026: Hegseth reuniu-se com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, exigindo assinatura de documento que garantisse ao Exército acesso total aos modelos Claude, sem salvaguardas.
27 de fevereiro de 2026: fim do prazo estipulado pelo Pentágono. A Anthropic recusou remover as salvaguardas. Nessa mesma data, o presidente Donald Trump ordenou que agências federais interrompessem o uso dos produtos da Anthropic, e Hegseth classificou a empresa como risco à cadeia de suprimentos.
28 de fevereiro de 2026: a OpenAI, via Sam Altman, aproveitou o vácuo deixado pela Anthropic e fechou acordo para implantar seus modelos na rede classificada do Departamento de Defesa, aderindo aos termos de uso lícito exigidos pelo governo.
3 de março de 2026: Sam Altman disse a funcionários da OpenAI que não controla como o Pentágono utiliza o sistema de IA da empresa.
4 de março de 2026: apesar de rumores sobre eventuais conversas entre Amodei e Hegseth, o Pentágono notificou formalmente que a Anthropic e seus produtos, incluindo o Claude, foram classificados como risco à cadeia de suprimentos.
5 de março de 2026: Amodei afirmou que a Anthropic pretende contestar a designação na Justiça. Se mantida, empresas privadas com contratos federais podem ser forçadas a banir o Claude, Impactando um dos principais pilares de crescimento da empresa.
Convido você a deixar sua opinião nos comentários: você acredita que esse confronto entre Pentagon e IA pública pode moldar o futuro da contratação governamental de IA ou que caminhos regulatórios vão definir quem pode usar Claude e serviços similares?

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