Estudo aponta que “Ozempic genérico” pode custar menos de R$ 16 por mês

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Um estudo da University of Liverpool aponta que versões genéricas das canetas Ozempic e Wegovy — medicamentos da Novo Nordisk usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade — poderiam ser vendidas por menos de US$ 3 por mês, ampliando significativamente o acesso a esses tratamentos. A análise foca a semaglutida injetável, ingrediente ativo de ambos os fármacos.

Os pesquisadores estimam que o custo da semaglutida injetável ficaria entre US$ 28 e US$ 140 por ano (equivalente a US$ 147,62 a US$ 738,12 no câmbio atual). O estudo também aponta que, apesar da redução do preço, a maior economia estaria na escalabilidade da produção e nos menores custos de fabricação, o que impactaria diretamente no valor final ao paciente.

Atualmente, na prática, os preços de tabela nos Estados Unidos são muito mais altos: US$ 1.027,51 por ano para o Ozempic e US$ 1.349 para o Wegovy. A Novo Nordisk anunciou a intenção de reduzir ambos para US$ 675 por ano a partir de 1º de janeiro, mas mesmo com descontos o custo continua elevado. A venda direta ao consumidor do Wegovy pode chegar a US$ 349 por mês para várias doses.

No Brasil, o tratamento mensal com Ozempic pode chegar a R$ 1.299,70, enquanto o Wegovy pode alcançar R$ 2.504,02. (Imagem: Mulher aplicando caneta emagrecedora — créditos: Kokosha Yuliya/Shutterstock.)

Mulher aplicando caneta emagrecedora na barriga
Mesmo com descontos, preços seguem elevados

GENÉRICOS DE OZEMPIC E SIMILARES E POSSÍVEL QUEDA DE PREÇOS

Com o vencimento de patentes, versões genéricas de Ozempic devem surgir ainda neste ano em grandes mercados como Índia, China, Canadá e Brasil, o que pode transformar o setor nesses países.

Analistas apontam que a concorrência pode desencadear uma guerra de preços, reduzindo o custo mensal para cerca de US$ 15 (aproximadamente US$ 80) em algumas regiões. Segundo os pesquisadores, o preço poderia cair ainda mais. O estudo foi divulgado nesta semana em formato de preprint, o que significa que ainda não passou por revisão por pares em uma revista científica.

Para chegar às estimativas, os pesquisadores analisaram registros de remessas de 2024 e 2025 de ingredientes usados na produção da semaglutida. A equipe calculou os custos de fabricação, incluindo embalagem, impostos e margens de lucro. A metodologia é semelhante à utilizada por outro grupo que, em 2024, concluiu que o Ozempic poderia ser produzido com lucro por menos de US$ 5 por mês.

De acordo com o levantamento, o próprio ingrediente representa apenas uma pequena parte do custo total das versões injetáveis — variando entre US$ 0,01 e US$ 0,12 por dose. Já as canetas de injeção podem custar entre US$ 0,30 e US$ 2,50 por unidade. Em comparação, as versões orais teriam custos estimados entre US$ 186 e US$ 380 por ano.

No artigo, os autores destacam que o nível de acessibilidade da semaglutida genérica “dependerá, em grande parte, da produção em massa de dispositivos de baixo custo”. O professor Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, afirmou que preços menores poderiam ampliar significativamente o alcance do tratamento, permitindo uma escala muito maior de atendimento.

Além dos dez países onde a semaglutida perde proteção de patente neste ano, os pesquisadores identificaram outros 150 países sem registro de patente para a substância, o que significa que versões genéricas poderiam estar disponíveis em cerca de 160 países que concentram 69% dos pacientes com diabetes tipo 2 e 84% das pessoas com obesidade no mundo.

Leia mais: Ozempic, Mounjaro e Wegovy: qual a diferença entre as canetas para emagrecer? / Vai parar de usar caneta emagrecedora? Cuidado com essa armadilha / Substância de canetas emagrecedoras pode ajudar com vícios, diz estudo.

PATENTE DA SEMAGLUTIDA EXPIRA NO BRASIL ESTE MÊS

No Brasil, a patente da semaglutida — princípio ativo presente no Ozempic, Wegovy e também no Rybelsus — chega ao fim em 20 de março. Após duas décadas de exclusividade comercial da Novo Nordisk, outras empresas poderão desenvolver e vender suas próprias versões do medicamento.

Antes de chegar ao mercado, no entanto, os genéricos precisam ser avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa analisa dados de qualidade, segurança e eficácia para verificar se os novos produtos são equivalentes ao medicamento original. No ano passado, o Ministério da Saúde pediu que a Anvisa priorizasse a análise das versões nacionais.

Esse tipo de submissão pode ocorrer antes do fim da patente, mas os laboratórios ficam impedidos de comercializar o medicamento até o término do período de exclusividade.

Para quem acompanha a pauta, a chegada de genéricos no Brasil depende de aprovados pela Anvisa, alinhando qualidade e preço com as novas dinâmicas de mercado que virão com a expiração da proteção de patente.

Se você ficou curioso para entender como os genéricos podem influenciar o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade no seu país, deixe sua opinião nos comentários e compartilhe experiências sobre o tema.

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