Meta description: Dia Internacional da Mulher 2025 ganha contornos de violência contra a mulher no Brasil e na Bahia, com 1.568 feminicídios no país e 102 no estado. Diretora do DPMCV detalha a campanha Nenhuma a Menos, a rede de proteção e os desafios de prevenção e atendimento às vítimas.
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Nenhuma a menos, essa é a frase que marca o enfrentamento à violência contra a mulher no país. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios dos últimos 14 anos, totalizando 1.568 vítimas. Nesse contexto, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, recebe um tom amargo diante desses números.
Na Bahia, a realidade não é diferente. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública apontam 102 vítimas de feminicídio no estado, representando uma queda de 7,27% em relação a 2024. Em resposta, a Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), lançou a campanha Nenhuma a Menos, com o objetivo de unir a rede de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher na região.
Para entender as especificidades da violência de gênero na Bahia e as ações de segurança que acompanham o tema, o Bahia Notícias ouviu Juliana Fontes, delegada da Polícia Civil e diretora do DPMCV. Ela explica que o Departamento, criado em 2023, é uma das atualizações da Secretaria de Segurança Pública no combate a crimes direcionados a mulheres e a outros grupos vulneráveis.
“O Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis é um departamento amplo”, descreve a delegada, e destaca que o trabalho abrange 417 municípios do estado. Entre as pautas estão mulheres, crianças, adolescentes, idosos, racismo, intolerância religiosa e população LGBT. A violência psicológica continua latente, especialmente em casos envolvendo relacionamentos amorosos.
Ela explica que, no cenário baiano, o crime que predomina nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher é a ameaça, sobretudo quando o relacionamento não é mais mantido. Em seguida aparecem violência física e injúria. Outro foco relevante é o descumprimento de medidas protetivas, com quase 4.500 pedidos de medidas protetivas de urgência registrados apenas na Casa da Mulher Brasileira no último ano, apontando também um aumento no descumprimento. Autores estão sendo presos por essas violações, com a Polícia Civil instaurando inquéritos.
A delegada ressalta ainda o papel da divulgação responsável, destacando que a imprensa tem influência, mas é preciso evitar um efeito cascata que incentive novas agressões ao reproduzir casos de grande repercussão.
Rota da Denúncia Em sua análise sobre a violência doméstica, Fontes aponta que esse é um crime extremamente complexo de enfrentar, pela sua “passabilidade social”. “É uma violência democrática, porque envolve cultura e educação”, afirma. O tempo para denunciar varia conforme cada mulher, tornando o acolhimento uma etapa crucial para romper o ciclo da violência.
A melhor forma de estimular denúncias, segundo a delegada, é informar sobre os processos e demonstrar efetividade do trabalho. Mesmo com as Delegacias Especial de Atendimento à Mulher (DEAMs), as vítimas podem registrar ocorrências em qualquer delegacia, porque toda a rede precisa estar preparada para recebê-las. O atendimento deve ser humano em todas as visitas, com o tempo que cada vítima precisa para avançar.
A rede de proteção vai além da delegacia: o apoio é jurídico, psicológico e social, com a Defensoria Pública, o Ministério Público, CREAs, CAPS e outras instituições que fortalecem a defesa da mulher. A ideia é que a vítima não fique sozinha e tenha acompanhamento em todo o processo para se libertar da violência.
Apesar de avanços, há gargalos, principalmente o número de agentes. Fontes afirma que a expansão de delegacias especializadas requer mais servidores, mas acrescenta que o governo já avalia concursos ainda neste ano para ampliar o quadro. Além do atendimento, a prevenção continua sendo prioridade: ações em escolas, grupos locais e campanhas promovem educação e conscientização para evitar a violência.
A campanha Nenhuma a Menos, lançada em 2023 e fortalecida pela gestão, orienta pela prevenção em diversos espaços: vida, salões de beleza, escolas e demais locais onde mulheres podem estar vulneráveis. Ao encerrar, Juliana Fontes enfatiza a luta travada neste 8 de março: é preciso construir uma sociedade livre e justa, onde a casa seja lugar de paz e não de medo e tensão.
E você, o que acha que pode ser feito para reduzir a violência contra a mulher na sua cidade? Deixe seu comentário e participe dessa conversa que pretende ampliar a segurança e o respeito em todas as regiões.

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