Palavras-chave: participação feminina, política brasileira, Dia Internacional da Mulher, violência de gênero, cotas de candidaturas. Meta Descrição: Análise da representatividade feminina na política brasileira, violência de gênero e avanços promovidos por leis e ações do movimento feminino.
Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher relembra as manifestações de operárias no início do século XX. Décadas depois, o carater político da data permanece: a participação feminina nos espaços de decisão ainda é menor do que a desejada.
Dados de 2025, conforme a União Interparlamentar e a ONU Mulheres, apontam que o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento. No Brasil, as mulheres representam 18,7% da Câmara dos Deputados e 19,8% do Senado, frente a uma média global de 27,2%.
A pesquisadora Vanessa Vitório, mestre em estudos feministas pela UFBA, afirma que o problema vai além dos números e revela desigualdades históricas. “Esse histórico passa pela divisão sexual do trabalho… o labor feminino era associado ao cuidado doméstico, e os grupos de poder não estão dentro de casa, o que dificulta a construção de um capital político”.
Ela ressalta que a ausência de perspectiva feminina deixa o país sem uma visão que fortaleça políticas públicas e estruturas democráticas. Para ela, trata-se de um déficit democrático que gera barreiras institucionais para as mulheres na política e em outras esferas de poder.
“Ao não ocupar essas instâncias, vão sendo criadas burocracias para mulheres. As leis e a engenharia eleitoral não são pensadas para elas, pois não estão lá para construir”, aponta a pesquisadora.
A saída dessas barreiras é narrada por parlamentares que chegam ao espaço apesar das dificuldades. Cris Correia (PSDB) aponta que o peso de provar a competência é um dos maiores desafios, levando a mulher a ter que se afirmar o tempo todo para participar de projetos e debates relevantes.
No primeiro episódio do podcast Democracia Incompleta, a vereadora de Salvador descreve os principais entraves encontrados na Câmara da cidade, evidenciando o terreno hostil que ainda precisa ser atravessado.
A violência política de gênero é reconhecida pela Lei 14.192/21, que define qualquer ato com a finalidade de impedir, obstruir ou restringir os direitos políticos das mulheres. A 3ª edição da pesquisa “Violência política e eleitoral no Brasil” aponta que quase metade dos casos envolve mulheres, mesmo representando minoria nas casas legislativas.
Na Bahia, a deputada Olívia Santana (PCdoB) move processo contra Diego Castro (PL) por violência política de gênero após uma discussão na Assembleia em agosto de 2025. A segunda edição do podcast traz o relato da deputada sobre a denúncia.
Mesmo assim, há avanços. A lei que reserva 30% das candidaturas para mulheres já está em vigor. Ivana Bastos (PSD), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, acredita que a chegada de mais mulheres pode impulsionar uma nova geração mais representativa: “A chegada de pessoas como eu mostra que é possível. Os partidos precisam observar os resultados das mulheres nos cargos para avançar”.
O terceiro setor também aponta caminhos para ampliar a participação. Juliana Barros, do instituto Elas no Poder, destaca a importância de votar em candidaturas femininas, apoiar campanhas e acompanhar a agenda do legislativo para cobrar uma legislação mais atenta às questões de gênero, incluindo a atualização de código eleitoral e o cumprimento das cotas existentes.
E você, o que pensa sobre a participação das mulheres na política? Deixe seu comentário e compartilhe suas experiências e opiniões sobre o tema.

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