Prefeito, ex-senador e loja: a rota do dinheiro para obra de hospital

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A Polícia Federal investiga desvios de recursos destinados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. A apuração, ligada à Operação Paroxismo, tramita no Supremo Tribunal Federal e tem como relator o ministro Flávio Dino. Segundo os investigadores, uma rede de empresários, pessoas ligadas à administração municipal e familiares participou da movimentação e distribuição do dinheiro público entregue em espécie após a assinatura do contrato da obra.

As informações indicam um fluxo financeiro envolvendo empresários, pessoas próximas ao então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan, familiares e colaboradores diretos da administração municipal.

Entre os personagens está Jerqueson da Costa Rodrigues, motorista do prefeito, que recebia um salário de R$ 3.815 e conduzia o Fiat Cronos branco registrado em nome do chefe do Executivo. O veículo foi flagrado próximo a bancos e locais monitorados pela PF durante diligências em 2025. Durante buscas na casa dele, os investigadores encontraram anotações de depósitos que, somados, ultrapassariam R$ 3 milhões.

Outro elo logístico é Hulgo Márcio Bispo Corrêa, responsável formal pela empresa que administra a clínica ligada ao prefeito. Ele apareceu pela primeira vez em diligências em maio de 2025, quando agentes acompanharam o transporte de uma mochila contendo dinheiro sacado por um dos empresários investigados. Segundo a PF, Hulgo teria recebido a mochila em um laboratório no centro da cidade e a transferido para outra pessoa que deixou o local em veículo registrado no nome do prefeito.

O Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, no centro de Macapá, foi apontado como ponto de encontro para entregas de valores sacados da conta da empresa responsável pela obra. O imóvel pertence ao ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque e foi descrito como local de acesso restrito, sem ligação direta com a obra, mas teria sido usado em pelo menos duas ocasiões para entrega de valores.

Além da movimentação em espécie, a investigação identificou transferências bancárias suspeitas envolvendo familiares do prefeito. Entre maio e outubro de 2024, um empresário transferiu R$ 100 mil para Isabella Cristina Moreira Favacho, ex-esposa do prefeito, sem justificativa contratual ou comercial. A PF também aponta movimentações associadas à atual companheira do prefeito, ligadas a uma empresa da área médica.

Outro episódio chamou a atenção durante mandados de busca: na residência de Rodrigo de Queiroz Moreira, um dos sócios da empresa contratada, ele afirmou não estar com o celular. Posteriormente, imagens de segurança levaram até um aparelho oculto dentro de uma caixa em um depósito da academia, prática que, segundo a decisão judicial, pode indicar dados relevantes para a investigação.

Na última semana, o ministro Flávio Dino determinou o afastamento cautelar do prefeito e de outros integrantes da administração municipal. A medida também atingiu a secretária municipal de Saúde e o presidente da comissão responsável pela licitação da obra. No dia seguinte, Antônio Furlan renunciou ao cargo.

A investigação continua. Sigilos bancários e fiscais foram quebrados, celulares periciados e documentos apreendidos estão sendo analisados pelas autoridades competentes, com tramitação no STF e nos demais órgãos envolvidos no caso.

A complexa operação evidencia os desafios de apurar desvios de recursos em grandes obras públicas e reforça a importância da atuação das autoridades na fiscalização. O que você pensa sobre os desdobramentos dessa apuração? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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