Ex-soldado que deu golpe em “caveiras” do Bope paga de patrão na Suíça

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O ex-soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) Djair Oliveira de Araújo é acusado de aplicar um golpe que pode chegar a cerca de R$ 30 milhões, operação que envolve também a esposa Vanessa Dias Rigueto e outros denunciados. Mesmo réu em ação penal no Brasil, ele fixou residência na Espanha, levando uma vida confortável no continente enquanto os fatos ????????am no país de origem ganham contornos legais.

A coluna Na Mira obteve vídeos que revelam a rotina do casal pela Europa, em viagens de trem, passeios em estações de esqui e visitas a grandes centros urbanos, como Paris. As imagens contrariam a versão apresentada na Justiça brasileira, na qual Djair dizia enfrentar dificuldades financeiras no exterior, enquanto exibiam cenas de lazer, viagens e momentos de convivência com a esposa em destinos turísticos europeus.

Entre as cenas, os vídeos mostram Djair e Vanessa em vagões panorâmicos, apreciando paisagens montanhosas e vilarejos históricos, bem como o casal em pistas de esqui cercados de turistas. Em alguns trechos, eles comentam trajetos entre regiões rurais europeias, reforçando uma imagem de vida estável e viajada.

Além dessas gravações, há registros de passeios por grandes cidades e uma passagem pela capital francesa, o que evidencia uma rotina bem diferente da descrita à Justiça brasileira, segundo a qual a dupla enfrentaria dificuldades financeiras enquanto o suposto golpe prosseguia.

Como funcionava o investimento

Segundo o Ministério Público, a empresa Dektos Investimentos Ltda prometia pagamentos mensais de até 5% do valor investido. Um investidor iniciou com R$ 50 mil e recebeu os pagamentos prometidos, o que o levou a investir, ao todo, cerca de R$ 592 mil até janeiro de 2024. Em março de 2023, chegou a aportar R$ 460 mil e, por alguns meses, recebia aproximadamente R$ 35 mil por mês. A partir de setembro de 2023, os valores passaram a cair, e a devolução integral do capital não ocorreu até o pedido formal feito em janeiro de 2024.

A Polícia Civil, ao investigar o caso, pediu prisão preventiva, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de contas tanto dos investigados quanto da empresa, sinalizando a gravidade das acusações e a amplitude do suposto golpe.

O que os investigadores dizem

As vítimas afirmam que Djair contava com o prestígio dentro da Polícia Militar para atrair clientes, incluindo policiais militares, ex-policiais e profissionais liberais. Muitos chegaram a vender imóveis e contrair empréstimos consignados para aplicar na empresa, que teria funcionado como uma pirâmide financeira, segundo relatos coletados pela investigação.

O grupo investigado também contava com a participação da esposa de Djair, Vanessa, do irmão dele, Luan Oliveira de Moura, e de Veronica Oliveira de Araújo, ex-funcionária da empresa, que atuavam na captação de clientes e na administração da Dektos, respectivamente. A Justiça já requisitou medidas que visam interromper o fluxo de recursos e recuperar parte do dinheiro investido.

A ostentação e a construção de credibilidade

Antes de deixar a PMERJ, Djair já chamava atenção nas redes sociais ao exibir carros de luxo, viagens internacionais e jantares em restaurantes sofisticados. A estratégia de marketing incluiu montar um escritório elegante da Dektos em um prédio comercial no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, onde recebia investidores e apresentava supostas estratégias de operação no mercado financeiro.

Segundo as vítimas, Djair costumava afirmar ganhos diários de até R$ 20 mil operando ativos como dólar futuro, reforçando a imagem de um trader de sucesso para atrair novas aplicações.

A aproximação com policiais do Bope

Relatos apontam que Djair também se aproximou de policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Em vídeos, ele chegou a usar o símbolo da unidade — a faca na caveira — para conferir credibilidade às mensagens motivacionais divulgadas nas redes.

Com o sumiço dos recursos, cerca de 20 investidores reuniram-se em um grupo de WhatsApp para tentar recuperar parte do dinheiro, demonstrando o impacto direto do golpe entre colegas de farda e demais profissionais que acreditaram nas promessas de rentabilidade mensal.

Conteúdo adicional e impactos

Entre os prejuízos relatados, há casos de ex-policial militar que investiu R$ 330 mil e de um engenheiro civil que perdeu R$ 595 mil após confiar nas promessas de retorno. Os relatos indicam uma gama de vítimas na região, com efeitos que vão desde perdas financeiras significativas até abalos emocionais e a necessidade de decisões judiciais para a recuperação de parte dos valores.

A investigação segue em andamento no Brasil, enquanto Djair mantém uma rotina na Europa, contrastando com a situação dos lesados no país. A cobertura destaca a importância de apurar responsabilidades e orientar potenciais investidores para evitar novos casos semelhantes.

O caso segue sob investigação, com vítimas buscando recuperação de parte dos valores e autoridades avaliando medidas adicionais para responsabilizar os envolvidos. Enquanto isso, o contraste entre a vida pública do ex-PM e o desfecho financeiro para os lesados evidencia a complexidade de golpes que combinam redes de influência, promessas de lucro fácil e uma fachada de legitimidade.

Se você acompanhou a cobertura ou conhece histórias parecidas, deixe seu comentário com opiniões, perguntas ou experiências. Sua participação ajuda a entender melhor esse tipo de golpe e a prevenir que outras pessoas sejam prejudicadas.

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