O ex-médico Lauro Estevão Vaz será julgado pelo Tribunal do Júri de Águas Claras no próximo dia 19 de março, às 9h, sob a acusação de feminicídio qualificado e fraude processual, relacionado à morte de sua mãe, Zely Alves Curvo, de 94 anos, em um incêndio no apartamento onde moravam. A denúncia sustenta que o crime teve motivação financeira.
Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Lauro não aceitou a perda da curatela e o acesso aos rendimentos da mãe, cuja curatela havia sido retirada após episódios anteriores, com os valores passando a ser administrados por outro familiar. A acusação aponta que essa insatisfação financeira foi o que teria motivado o crime.
Testemunhas relataram que o ex-médico reclamava da perda de controle sobre o dinheiro e tentou reverter judicialmente a decisão. Além disso, Lauro foi denunciado por fraude processual, por supostamente alterar o estado do local do crime após a morte da vítima.
As apurações indicaram que o médico retornou ao apartamento ao menos três vezes após o incêndio, para remover objetos e modificar o cenário, com a finalidade de dificultar a perícia. A perícia do local confirmou que as chamas começaram na maca onde Zely estava deitada, descartando hipóteses de acidente elétrico ou causa natural.
Lauro está preso desde 14 de junho de 2024. Em maio de 2023, ele já havia sido detido após se envolver em uma discussão durante uma visita à mãe no hospital, quando a idosa foi internada após um acidente vascular cerebral (AVC). Familiares disseram que o ex-médico era agressivo e limitava o contato com a família, além de gerenciar os recursos da vítima para despesas próprias.
O histórico profissional do acusado também envolve cassação do registro no CRM-DF, após denúncias de duas pacientes por toque indevido durante exames entre 2009 e 2010, incluindo uma gestante de 17 anos. Caso seja condenado, Lauro pode cumprir de 12 a 30 anos de prisão.
A investigação também aponta que Lauro era médico ginecologista e teve o registro cassado pelo CRM-DF. Familiares disseram que ele era visto como agressivo e controlador, o que reforça o contexto do crime. A Justiça continuará avaliando as acusações no decorrer do processo.
Este caso levanta questões importantes sobre a proteção de idosos e a responsabilização de cuidadores com poderes sobre recursos financeiros. O julgamento deve esclarecer responsabilidades no manejo de curatelas e as limitações legais impostas a familiares que atuam na gestão de patrimônios de pessoas vulneráveis. O desfecho pode trazer impactos relevantes para situações semelhantes em Brasília e no Brasil.
O leitor pode acompanhar a tramitação do processo e as decisões judiciais futuras, que definirão a aplicação de penas caso as acusações sejam comprovadas. A história continua em andamento, com desdobramentos aguardados pela defesa, pela família da vítima e pela sociedade.
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