O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contatos telefônicos com líderes de esquerda da América Latina, em meio à disputa com o governo dos Estados Unidos sobre a possível classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas. O governo americano afirma que o PCC e o CV representam ameaças significativas à segurança regional e prometeu agir contra envolvidos em atividades terroristas.
Desde segunda-feira, 9 de março de 2026, Lula já conversou com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e, nesta quarta-feira, 11, ligou para o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Ambos os países tiveram cartéis de drogas rotulados pelo governo Trump, no ano passado, como grupos terroristas estrangeiros.
O Brasil sustenta que o caminho de combate ao crime organizado transnacional passa pela cooperação policial e que não há respaldo na lei brasileira para uma designação que, segundo autoridades, exige enquadramento de atos violentos por xenofobia, discriminação ou preconceito. A designação é unilateral dos Estados Unidos e, entre seus impactos, pode facilitar o congelamento de ativos, a investigação e o monitoramento de membros, o intercâmbio de informações de inteligência, sanções financeiras, banimento de vistos e criminalização de apoio material.
Apesar de Lula poder articular uma posição comum com aliados, interlocutores do Planalto afirmam que a designação tende a gerar atrito entre Brasília e Washington e pode trazer desgaste eleitoral para o governo brasileiro. O chanceler Mauro Vieira discutiu o tema com o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçando a linha de soberania brasileira.
O texto também cita precedentes de intervenções militares norte-americanas ligadas ao combate ao narcotráfico e ressalta episódios recentes, como a operação envolvendo policiais mexicanos que resultou na morte de El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, provocando retaliações. Lula, Sheinbaum e Petro condenaram operações militares associadas a políticas de Trump no contexto regional.
Neste mês, Lula deve participar da cúpula da CELAC, a região de Estados Latino-americanos e Caribenhos, marcada para o dia 21 em Bogotá. O tema pode entrar na pauta, mas autoridades brasileiras sabem que declarações que questionem políticas de Washington costumam encontrar resistência de governos alinhados aos Estados Unidos. Sobre a conversa com Petro, o governo informou apenas que trataram da integração regional no contexto da CELAC, com confirmação de participação na edição “Em Defesa da Democracia” em Barcelona, no dia 18 de abril. Já a ligação com Sheinbaum ficou restrita a relações econômicas e parceria no setor de energia, com Lula convidando-a para visitar o Brasil entre junho e julho, acompanhada de empresários.
Em síntese, o governo brasileiro mantém a aposta na cooperação policial e na defesa da soberania jurídica, mesmo diante da possibilidade de uma designação que possa tensionar a relação com Washington. Como isso se desenha para a agenda diplomática brasileira, especialmente na frente de segurança e combate ao narcotráfico, ainda será explicado nos próximos desdobramentos.
E você, o que acha da postura do Brasil diante de eventuais pressões para classificar grupos como terroristas? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe suas perspectivas sobre o impacto dessa situação na relação Brasil–EUA e na segurança regional.

Comentários do Facebook