Grupo que vendia armas impressas em 3D para facção é alvo da polícia

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Operação Shadowgun: Polícia desarticula rede de armas impressas em 3D no Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, deflagrou a operação Shadowgun, uma ofensiva nacional contra um esquema interestadual de produção e venda de armas impressas em 3D. A ação envolve o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados, ligados a integrantes da rede e a compradores do material.

A ação é conduzida pela 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) e envolve quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados, abrangendo endereços ligados aos liderados e aos compradores. A operação também conta com cooperação de órgãos internacionais.

Armas fantasmas

As investigações apontam a existência de um grupo estruturado dedicado à produção e disseminação de armamentos impressos em 3D, conhecidos como “armas fantasmas”, por não possuírem número de série ou controle oficial.

As diligências começaram após um alerta internacional recebido pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) sobre um usuário de redes públicas suspeito de desenvolver e comercializar esse tipo de armamento. Os investigadores identificaram o líder da organização como um engenheiro especializado em controle e automação, responsável pelo desenvolvimento técnico dos armamentos.

Utilizando pseudônimos, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações técnicas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das peças.

Manual com mais de 100 páginas

Segundo a apuração, o engenheiro produziu um manual com mais de cem páginas explicando passo a passo como fabricar as armas. O documento detalhava desde a impressão das peças até a montagem final, permitindo que qualquer pessoa com conhecimento intermediário em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, com equipamentos relativamente baratos.

O principal produto divulgado pelo grupo era uma arma semiautomática construída com peças impressas em 3D e componentes não regulamentados. Além do manual técnico, o material incluía um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas. Os arquivos circulavam em redes sociais, fóruns especializados e na dark web, criando um ecossistema clandestino voltado à produção de armamentos não rastreáveis.

Estrutura do grupo

A investigação também identificou três comparsas que atuavam diretamente na operação, cada um com função específica: um responsável pelo suporte técnico aos usuários; outro, divulgador e articulador ideológico; e um terceiro, pela propaganda e identidade visual da rede. Os investigadores indicam que o grupo combinava engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação das armas.

Venda para facções e criminosos

As apurações apontam que o grupo produzia armamentos no Brasil e comercializava pela internet, além de oferecer consultoria técnica. A rede abastecia facções criminosas e facilitava o acesso de grupos extremistas à tecnologia, utilizando criptomoedas para financiar as atividades. O principal produto era carregadores alongados para pistolas de diversos calibres, vendidos pela própria residência e em plataformas online.

Entre 2021 e 2022, o material foi negociado com 79 compradores. Nos anos seguintes, as negociações migraram para outros canais digitais e plataformas clandestinas. Os compradores identificados estão distribuídos por 11 estados brasileiros e muitos possuem antecedentes criminais ligados ao tráfico de drogas e a outros crimes graves. A polícia também investiga o destino final do material no estado, com indícios de ligação a tráfico de drogas e milícia; um comprador já foi preso em flagrante com grande quantidade de armas e munições.

Ações no Rio

Durante a operação, agentes da 32ª DP cumpriram seis mandados de busca e apreensão no estado, incluindo cidades do interior, Região dos Lagos e endereços no Recreio dos Bandeirantes e na Barra da Tijuca, na capital. A ação contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, enquanto equipes da Polícia Civil também atuaram em São Paulo, onde foram cumpridos mandados de prisão contra o líder do grupo e seus três comparsas.

O caso evidencia como a impressão em 3D facilita a circulação de armamentos não rastreáveis e o desafio para autoridades e setor de segurança em coibir esse tipo de crime, com atuação nacional e colaboração internacional.

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