O ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou nesta quinta-feira (12) que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba o enviado especial dos Estados Unidos, Darren Beattie, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Em decisão anterior, Moraes havia autorizado o encontro, mas o Itamaraty informou ao STF que a viagem poderia configurar ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil, levando o magistrado a reavaliar a permissão.
Antes da nova avaliação, o Itamaraty informou ao STF que a viagem de Beattie, para participar de uma conferência sobre minerais críticos em São Paulo e para reuniões com representantes do governo brasileiro, poderia configurar ingerência indevida. O Departamento de Estado dos EUA confirmou que Beattie chegaria a Brasília em 16 de março, às 14h05, partiria para São Paulo em 17 de março, às 19h30, chegaria à capital paulista no mesmo dia, às 21h25, e partiria de volta para Washington em 18 de março, às 21h30.
O Itamaraty destacou que, por ser um ano eleitoral, a visita entre Bolsonaro e Beattie “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Brasil” e informou que a ida do assessor norte-americano não estava inserida no contexto autorizado para concessão de visto, segundo a avaliação diplomática.
Visita a Bolsonaro Em resposta a um pedido da defesa de Bolsonaro, o ministro autorizou o encontro para quarta-feira (18), das 8h às 10h, visto que o ex-presidente recebe visitas apenas nas quartas-feiras e aos sábados, não havendo previsão legal para alterar a data.
Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista, cumpre pena na Papudinha e foi transferido para o local em 15 de janeiro. A decisão de Moraes ocorreu após a reavaliação suscitada pelo Itamaraty sobre o potencial impacto institucional da visita.
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