Os 90 anos de Zé do Caixão: família celebra legado de José Mojica Marins

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José Mojica Marins, o icônico Zé do Caixão, completaria 90 anos nesta sexta-feira (13/3). Em São Paulo, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) promove uma sessão gratuita e ao ar livre do primeiro filme em que o sádico coveiro aparece, À Meia-Noite Levarei Sua Alma, com serviço e detalhes de acesso a seguir.

O evento destaca a trajetória do cineasta, cuja obra revolucionou o cinema de terror brasileiro e serviu de alicerce para cinema de baixo custo e qualidade. O CCSP, na região central da capital, recebe a homenagem ao lado da exibição, que ocorre em 13 de março, às 19h30, com entrada gratuita e retirada de ingressos na bilheteria a partir das 17h30.

GALERIA

O mais velho dos sete filhos de Mojica Marins, Crounel Marins, hoje com 63 anos, comentou ao Metrópoles sobre o legado do pai, que vai além do personagem de roupas pretas e unhas longas. Segundo ele, José não nasceu com olhos: nasceu com câmera.

“Ele tinha uma capacidade de enxergar uma cena e imaginar como ficaria depois de editada o que, para mim, era uma coisa espetacular”, contou Crounel. “Ele tinha capacidade de enxergar além do que estava sendo filmado.”

Referência no terror brasileiro, Zé do Caixão foi também precursor de uma forma de fazer cinema no Brasil: manter a qualidade com recursos quase inexistentes. Para o filho, hoje, o reconhecimento vem acompanhado de um convite à criação coletiva e de valorizar o trabalho em conjunto, mesmo em momentos de dificuldade.

“Como é que ele conseguiu fazer isso num país como o Brasil, com recursos praticamente inexistentes? Mas conseguiu […] É uma forma de dizer que nós [os brasileiros] podemos, que nós temos que ter boa vontade e criatividade, que nós temos que andar mais juntos, temos que nos prestigiar. Eu acho que esse é o legado que ele deixou e a reflexão que ele deve causar nas pessoas, não só no meio artístico”, disse o filho.

O sucesso do personagem veio rapidamente. Antes dos 30, Mojica já era uma das figuras mais citadas na área artística, experienciando o reconhecimento que o acompanharia ao longo da vida. Por outro lado, enfrentou opositores intelectuais que não compreendiam sua obra e, sem formação formal, viu seu talento ser visto como excentricidade em um país com poucas condições para cinema independente.

Em entrevista, Crounel revelou um segredo revelador: Mojica usou unhas artificiais – uma das marcações do personagem – para viver Zé do Caixão em À Meia-Noite Levarei Sua Alma. “O ator só deixou as próprias unhas crescerem a partir de 1966.”

“Eu trabalhei com ele quase de forma incessante desde os 15 anos de idade, acompanhando em cursos que ele dava de teatro e cinema, os filmes que ele fazia – não os principais, e, para mim, foi uma coisa bem natural, fora a parte da infância”, admitiu.

A família revela ainda que, quando Zé do Caixão virou febre, surgiram diversas oportunidades, inclusive no cinema, com Mojica atuando em filmes de terro sem se restringir apenas ao terror. Era comum ele aceitar trabalhos com pseudônimo e, em alguns momentos, participar da pornografia encenada, sempre priorizando a sobrevivência e a viabilidade financeira da casa. A experiência de trabalhar junto com o pai expôs os filhos aos desdobramentos dessa vida criativa, inclusive em relação ao consumo de bebidas alcoólicas e jogos.

Superstições

O cineasta não temia passar debaixo de escadas ou gatos pretos, mas pedia benção sempre que ouvia o pio de uma coruja, associando o som à presença da morte. Ele era católico praticante e, apesar do apelido macabro, sentia medo da morte.

Influência nos filhos e netos

Liz Marins, uma das irmãs de Crounel, seguiu o caminho das artes e criou o personagem de terror Liz Vamp. A filha, considerada sucessora artística de Zé do Caixão, fará uma perfomance durante a exibição no CCSP, além da projeção de Aparências, curta de terror roteirizado e dirigido por ela. O filho, por sua vez, chegou a cursar engenharia, administração e direito; hoje é professor no Ifsp. Ele chegou a dar aulas de teatro, mas não seguiu carreira na arte, justamente por ter visto de perto a vida do pai.

“Nós tivemos uma vida extremamente difícil no quesito material. Meu pai nunca teve nada. Nossa infância foi, eu posso dizer, bem pobre. N&otres não passamos fome, mas, perto dos amigos que a gente tinha, estávamos um tanto abaixo”, contou. Durante a infância, José Mojica e os filhos moravam no Brás, na região central de São Paulo.

Apesar do sucesso de público, a carreira como cineasta não levou a família à riqueza. Além disso, reconhece o filho, parte dos problemas financeiros do pai vinha do vício em jogos. Pai de três filhos, Crounel lembra que os filhos, mesmo sem seguir a carreira artística, tiveram contato com teatro e cinema, revelando que toda casa aprecia filmes de terror, com influências do avô.


Serviço

Homenagem aos 90 anos de José Mojica Marins, o Zé do Caixão
Onde: Centro Cultural São Paulo
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade
Quando: 13 de março
Horário: 19h30
Preço: Entrada gratuita
Onde comprar: É preciso retirar ingresso na bilheteria física a partir das 17h30

Esta celebração reforça a lembrança de Mojica-MARINS como referência do terror nacional, bem como o legado que ele deixou aos seus descendentes e ao cinema de vanguarda que sempre buscou inovar, mesmo diante de limitações materiais.

A sala, a adapatividade do CCSP e a boa aceitação de um projeto que valoriza a criação independente demonstram a continuação do nascimento de novas linguagens no cinema brasileiro, atreladas a memórias de um cineasta que fez da simplicidade uma virtude criativa.

Para quem gosta de cinema, este compromisso com a história e a arte oferece uma oportunidade de compreender a transformação do cinema de terror no Brasil e o papel de Mojica na construção de uma identidade cinematográfica não apenas de susto, mas de imaginção e duradoura influência.

Gostou da reportagem sobre o Zé do Caixão? Compartilhe suas impressões nos comentarios e conte-nos como essas memórias impactam sua visão sobre cinema nacional.


Este texto foi elaborado para apresentar de forma concisa a comemoração dos 90 anos de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, destacando o significado de seu legado, a experiência da família e os detalhes práticos do serviço no CCSP. Com depoimentos da família, a cobertura reforça a infl uência que Mojica teve na cultura pop brasileira e no cinema independente.

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