Pastor Anderson Silva comoveu a internet com falsa campanha para jovem autista

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Em meados de 2025, um caso que envolve o pastor Anderson Silva e o instituto que ele comanda ganhou grandes desdobramentos: uma moradora do Distrito Federal moveu uma ação na Justiça contra o líder religioso e a ONG, buscando indenização de R$ 330 mil por danos morais e materiais. Ela acusa que a imagem de seu filho autista foi usada para arrecadar milhões nas redes sociais, sem que a família recebesse qualquer valor.

Para entender o que está em jogo, é preciso conhecer o histórico da iniciativa associada ao pastor. O Projeto A Casa do John John é uma das ações que integram um hub social ligado ao Instituto Família Silva (antiga Machonaria Confraria Nacional de Homens). Criada há cerca de seis anos, a ONG afirma ter atendido gratuitamente mais de 300 famílias, oferecendo suporte a crianças e adolescentes autistas por meio de voluntários. O objetivo, segundo a organização, é criar uma rede de proteção e assistência para quem enfrenta desafios específicos de desenvolvimento.

No final de 2023, Karina Cunha de Figueiredo, mãe de um adolescente com autismo, procurou o pastor em Sobradinho I, em busca de apoio para reformar a residência em que morava. A família, que vive com apenas um salário mínimo, contava com a ajuda do projeto social para viabilizar a reforma, que visava aumentar a supervisão e a qualidade de vida do filho, que exigia cuidados integrais. Naquele encontro, Anderson teria manifestado o interesse de registrar fotos e vídeos da situação com a finalidade de pedir contribuições nas redes, assegurando que todos os recursos seriam destinados à família, segundo afirma Karina.

O material gravado foi divulgado nas redes sociais do pastor — Instagram, TikTok e YouTube — e rapidamente alcançou quase 800 mil visualizações. Mesmo com a viralização, Karina sustenta que nunca recebeu qualquer quantia arrecadada nem houve prestação de contas. Em meio ao conteúdo, Anderson aparece chorando e descreve a responsabilidade de cuidar da comunidade autista, pedindo apoio financeiro para fortalecer a rede de amparo, levando a família a acreditar em mudanças reais.

— A gente lidera um projeto para cuidar da comunidade autista — disse o pastor, segundo a íntegra da gravação, na qual ele também afirma o desejo de intervir na vida do jovem e da mãe, buscando aluguel de uma casa, mobília e um plano de saúde para Karina e o filho, com um objetivo declarado de levantar cerca de R$ 30 mil para esse fim — registra Karina, citando trechos da própria fala exibida nas redes.

A reforma prometida acabou não saindo do papel. O pastor alugou uma casa em Samambaia para a família, com a promessa de que ficariam ali enquanto ocorria a reforma em Sobradinho. Também houve promessa de repasses mensais de R$ 600 para alimentação. Contudo, o pagamento foi discontinuado já nos primeiros seis meses, e o período de convivência na nova residência acabou se estendendo por cerca de 1 ano e 3 meses. O proprietário da casa passou a reclamar do atraso no aluguel e de contas em atraso, levando à desocupação. Karina afirma que não houve a reforma prometida na casa herdada em Sobradinho, e que a família ficou sem água e luz por períodos.

A dona de casa também sustenta que nem ela nem o filho tiveram acesso ao plano de saúde prometido. Além disso, segundo Karina, houve uma sensação de silêncio prolongado e a família acabou recebendo apenas o mínimo para sobreviver. Em relatório paralelo, uma ex-funcionária da ONG disse a Karina que Anderson teria arrecadado mais de R$ 2 milhões com a divulgação das imagens do filho nas redes sociais, sem que os recursos fossem repassados nem houvesse prestação de contas. A própria Karina afirma que a família não recebeu nenhuma ajuda financeira substancial durante todo o período.

Diante do que descreve como exploração da vulnerabilidade, os advogados Mário Antonio de Oliveira e Elizeu Pinheiro de Almeida ingressaram com a ação, buscando indenização de R$ 330 mil por danos morais e materiais. Eles argumentam que a família foi exposta a uma campanha de arrecadação com o uso indevido da imagem do adolescente e que não houve transparência nem prestação de contas sobre os recursos arrecadados. O entendimento é de que o pastor utilizou a imagem do filho da moradora para benefício próprio, sem providenciar qualquer solução prática para a família.

Quanto à posição do líder religioso, o Metrópoles entrou em contato com o pastor, mas ele não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para seu posicionamento, que pode esclarecer elementos da campanha, a destinação dos recursos e as promessas feitas durante as gravações.

Em síntese, o caso envolve acusações de uso indevido da imagem de uma criança para arrecadar recursos, promessas não cumpridas de reforma, planos de saúde não entregues e uma suposta arrecadação milionária que não chegou à família. A história traz à tona questões sobre responsabilidade social, transparência de instituições religiosas e a necessidade de salvaguardar a dignidade de pessoas em situação de vulnerabilidade ao longo de campanhas públicas de ajuda.

E você, como leitor, vê com precisão os desdobramentos dessa situação? Deixe seu comentário com sua opinião sobre a responsabilidade de instituições religiosas na captação de recursos, a importância da prestação de contas e o papel da mídia na apuração de denúncias envolvendo vulnerabilidade de famílias. Sua participação enriquece o debate público sobre fiscalização, ética e transparência em ações de base comunitária.

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