Artistas percorrem escolas públicas de SP em campanha contra bets. Veja vídeo

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A campanha Volta às Aulas Sem o Tigrinho traz educação, arte e conversa direta sobre os riscos das apostas online para as escolas públicas da Zona Leste de São Paulo, de Santos e de São Bernardo do Campo. Com apoio das Fábricas de Cultura, artistas vão às unidades de ensino para dialogar com os estudantes sobre o vício em jogos e evitar que a prática atinja famílias já fragilizadas pela realidade local.

A iniciativa coloca jovens músicos da própria região para falar com os alunos nos recreios, apresentando músicas criadas especialmente para desencorajar apostas em sites de bets. O objetivo é usar o ritmo popular, a linguagem que chega aos jovens e o poder da arte para ampliar a reflexão sobre o que chamam de “efeito Tigrinho”. O projeto já está levando atividades para cerca de 10 escolas da rede pública.

Na primeira incursão, o Metrópoles acompanhou uma roda de conversa com os MCs Edisinho e Mc Caesar, vencedores do concurso de funk, na Escola Estadual Aurélio Buarque de Holanda, localizada na Vila Curuçá. Durante as ações, os artistas se apresentam nos recreios cantando músicas que reforçam a mensagem de desencorajar o uso de sites de apostas entre jovens de baixa renda.

Os estudantes, com idade entre 10 e 12 anos, relataram que já conheciam casos de familiares que perderam dinheiro, celulares e até moradia por causa do Tigrinho. Uma das falas que chamou a atenção foi a percepção de que a publicidade ligada às apostas pode influenciar quem está começando a se interessar pelo tema. As crianças destacaram a importância de campanhas como essa para frear a influência negativa.

A origem da campanha vem do convite aos músicos para compor funks contra o Tigrinho. Eles dizem que, ao chegar aos jovens por meio do funk, conseguem transmitir uma visão correta e fazer com que a ideia chegue de forma natural, sem soar como cobrança. Segundo os artistas, o funk é uma expressão cultural poderosa que, bem direcionada, pode educar e conscientizar em escala global.

Para os músicos, o vício em apostas não é um problema de apenas crianças ou adolescentes. Eles apontam que pessoas entre 30 e 40 anos também caem nessa armadilha, especialmente por contextos periféricos e por frustrações com a vida. O apelo é maior nesses ambientes, e a campanha busca reduzir esse risco ao apresentar alternativas e incentivar a conversa familiar.

A parceria entre as Fábricas de Cultura e as escolas públicas não se restringe às visitas. Também haverá cartazes produzidos por grafiteiros da região, originalmente criados para telas, adaptados para o ambiente escolar. As peças trazem mensagens de conscientização sobre os perigos das apostas on-line e reforçam o lema Tigrinho vicia, grafite conscientiza. O subgerente da Fábrica de Cultura Vila Curuçá, Bruno Mendes Brito Naves, reforça que essa colaboração é essencial para os jovens da região.

Matheus Moreira da Silva Oliveira, coordenador de projetos de difusão das Fábricas, explica que a ideia surgiu ao perceber que, nas periferias e regiões mais vulneráveis, há um grande problema com jogos de apostas. O impacto positivo das ações já é perceptível: muitas crianças passaram a falar com os pais sobre o tema, reduzindo a entrada de jovens nos sites de apostas e fortalecendo o diálogo familiar sobre o assunto.

A supervisora regional de ensino, Alexandra Avelino Cardoso, destaca a importância de levar essa campanha para as escolas públicas. Ela aponta que, mesmo que o Tigrinho não seja mais uma presença constante, a conscientização sobre o risco das apostas pode prevenir situações futuras de ganho imediato que acabam gerando prejuízos significativos para famílias inteiras.

A iniciativa representa uma ponte entre educação, cultura e comunicação para a prevenção de problemas de jogo. Ao unir grafite, música e assessoria pedagógica, as Fábricas de Cultura pretendem ampliar o alcance da mensagem e incentivar ações contínuas de prevenção em diferentes localidades, fortalecendo o cuidado com os jovens e a comunidade escolar como um todo.

E você, o que pensa sobre esse tipo de ação educativa que usa arte para sensibilizar jovens sobre os riscos das apostas online? Deixe seu comentário e compartilhe experiências ou sugestões sobre iniciativas parecidas na sua cidade. Sua opinião pode incentivar mais ações que promovam o bem-estar das famílias e a construção de escolhas mais seguras para as próximas gerações.

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