Irã mantém ‘cooperação militar’ com Rússia e China, diz chanceler

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Um recado direto do Irã ao mundo a partir de uma entrevista exclusiva mostra o país fortalecendo alianças estratégicas enquanto navega pela escalada de tensões com os Estados Unidos e Israel. Em 14 de março de 2026, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, concedeu entrevista à MS Now, emissora dos Estados Unidos, e afirmou que Teerã mantém uma cooperação militar com Rússia e China. O ministro descreveu as relações como uma parceria de longo prazo, com históricos de colaboração política, econômica e militar, ainda que não tenha detalhado como esse elo funciona na prática ou de que forma cada país apoia o Irã no conflito atual.

Araghchi destacou que as ligações com Moscou e Pequim não são recentes nem episódicas, mas sim parte de um eixo estratégico que vem se consolidando ao longo do tempo. Embora não tenha explicado mecanismos operacionais ou táticas específicas, o chanceler ressaltou que as nações mantêm um estreito alinhamento em múltiplas frentes. O conteúdo da entrevista sugere uma leitura de mundo na qual o Irã busca, por meio dessas parcerias, reduzir vulnerabilidades diante da pressão ocidental, sem abrir mão de sua autonomia política.

Sobre o conflito que envolve os Estados Unidos e Israel, Araghchi afirmou que a guerra foi “imposta” ao Irã. Ele acusou Washington e Tel Aviv de recorrerem aos territórios vizinhos — citando os Emirados Árabes Unidos como exemplo — para atacarem o país. A afirmação insere Teerã no debate regional como parte de uma estratégia de sobrevivência frente a pressões externas, ao mesmo tempo em que sinaliza uma leitura de que o Irã não recua diante de agressões percebidas como injustas. A entrevista não detalha operações nem objetivos específicos dessa atuação regional.

O ministro também comentou sobre o Estreito de Ormuz, insistindo que a passagem permanece aberta, exceto para os Estados Unidos e Israel. Ele sugeriu que a maioria das partes evita atravessar a região por questões de segurança, destacando que o estreito concentra cerca de um quinto do tráfego marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A justificativa de Araghchi vem em um momento de volatilidade nos preços de energia, alimentada por informações de ataques iranianos a petroleiros e pela instabilidade regional que reverbera no mercado global.

Em outro ponto da entrevista, o chanceler tratou da situação do líder supremo, Ali Khamenei. Araghchi rejeitou a afirmação de que o líder estaria “ferido ou desfigurado”, veiculada por autoridades dos EUA. Para ele, a República Islâmica funciona como um sistema estável e bem estruturado, não dependente de qualquer indivíduo ou grupo específico. Essa leitura reforça a narrativa iraniana de que a coalizão entre instituições foi capaz de manter o equilíbrio político interno mesmo diante de pressões externas intensas.

A fala de Araghchi ocorre em meio a um cenário de alinhamentos estratégicos que o Irã tenta consolidar para consolidar sua posição regional frente a uma coalizão ocidental cada vez mais integrada com parceiros globais. Embora o ministro não revele detalhes operacionais, suas declarações sinalizam uma tentativa de mostrar ao público internacional que Teerã tem opções de cooperação que vão além de fronteiras, articulando uma política externa baseada em redes de parceria com Moscou e Pequim. A leitura geral é a de que o Irã busca ampliar seu espaço de manobra político e militar, sem abrir mão de seu eixo diplomático com potências emergentes.

Queremos ouvir sua opinião: como você enxerga o papel de Rússia e China na dinâmica do Oriente Médio e a forma como o Irã tem apresentado essas parcerias? Deixe seus comentários abaixo e participe da discussão sobre as relações internacionais que moldam a região e o mundo. Como você avalia o impacto dessas alianças na segurança, no comércio e na geopolitica global?

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