Investigação apura capitão da PM em esquema de intermediação imobiliária em vara de juíza suspeita em Barreiras

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Um capitão da Polícia Militar da Bahia, lotado no Comando de Policiamento da Região Oeste, está sob investigação por suposto envolvimento em um esquema de intermediação irregular na compra e venda de imóveis em Barreiras, no Extremo Oeste. A apuração ocorre à frente de uma sindicância aberta para apurar indícios de autoria e prova de materialidade de infração administrativa, conforme apurado pelo Correio com base no Boletim Geral Reservado da PM. O inquérito tem prazo inicial de 30 dias, começando em 25 de fevereiro, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

O documento aponta que as irregularidades teriam relação com a atuação da 3ª Vara Cível e de Registros Públicos da Comarca de Barreiras, sob a responsabilidade de Marlise Freire de Alvarenga. A magistrada já havia sido afastada do cargo em novembro do ano anterior e responde a procedimento disciplinar no Tribunal de Justiça da Bahia, sob a acusação de cobrar valores em troca de decisões judiciais — fato que lhe rendeu o apelido de Juíza Cinquentinha.

Segundo o boletim, o capitão também figura no quadro societário da WM Empreendimentos Ltda., empresa sediada em Barreiras que atua no setor de incorporação, compra, venda, locação e loteamento de imóveis. O documento aponta que o oficial mantém uma relação de proximidade pessoal e convivência reiterada com um integrante da 3ª Vara Cível e de Registros Públicos da comarca, o que, segundo a sindicância, poderia facilitar, intermediar ou influenciar interesses de terceiros junto ao Poder Judiciário para obter vantagens privadas.

Há ainda a menção de suspeita de participação do oficial em práticas associadas à agiotagem. O boletim cita operações financeiras informais carregadas de juros elevados, supostamente realizadas fora do sistema financeiro, com a alegada utilização da influência institucional da magistrada para favorecer tais operações e conferir aparência de legitimidade.

Do ponto de vista jurídico, a situação se sustenta em o que prevê a Lei nº 6.880/1980, que proíbe militares da ativa de exercer atividade comercial ou de participar da administração ou gestão de sociedades empresariais. Contudo, a legislação permite que integrantes das Forças Armadas ou das polícias militares sejam acionistas ou quotistas, desde que não exerçam funções administrativas ou de gestão nas entidades em questão.

Histórico relevante para este caso é a trajetória recente ligada à Justiça de Barreiras, com a magistrada afastada já enfrentando acusações de cobrança por decisões. A relação entre autoridades militares e o âmbito judicial, bem como a participação de policiais em empresas privadas, é tema de debate constante e, neste caso, está no centro de uma apuração que pode gerar desdobramentos sobre integridade institucional e fiscalização de condutas passíveis de conflito de interesses.

O acompanhamento da sindicância revela a gravidade das alegações e a tensão entre estruturas de poder na região Oeste do estado. Enquanto a PM-BA confirma a abertura da investigação, as próximas etapas devem esclarecer se houve conduta irregular por parte do capitão, bem como a extensão de eventuais facilidades a terceiros no âmbito do judiciário local. A região acompanha de perto o desenrolar do processo e suas implicações para a confiança pública.

Interessados e moradores da cidade podem acompanhar novas informações sobre o andamento do caso, que envolve instituições de peso na jurisdição de Barreiras. Caso tenha opinião ou informações adicionais, compartilhe nos comentários para enriquecer o debate sobre ética, transparência e responsabilidade pública na localidade.

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