Proposta de redistribuição de 3% do contrato da Libra com a Globo para clubes da Série C agita a cena do futebol brasileiro. Bahia, Palmeiras e Red Bull Bragantino apresentaram, em conjunto, a ideia de destinar esse percentual aos clubes Paysandu, ABC, Sampaio Corrêa, Guarani e Volta Redonda, reforçando a possibilidade de alterar a lógica de receitas da liga enquanto enfrenta uma crise interna.
A iniciativa surge em meio a uma crise interna na Libra, marcada pela disputa sobre critérios de distribuição de receitas de audiência e o papel de cada clube no processo decisório. A informação foi divulgada pela coluna de Rodrigo Mattos, do UOL Esporte, e coloca em evidência um movimento de clubes que buscam impactos financeiros diretos aos de menor expressão.
O plano apresentado pelos três clubes prevê que o percentual de 3% seja repassado diretamente aos clubes da Série C, o que pode reduzir a adesão desses times à reunião organizada pelo Flamengo e seus aliados, prevista para a próxima quarta-feira, na Gávea. Em termos práticos, a proposta busca redesenhar a relação de distribuição para privilegiar equipes que atuam fora da Série A.
A avaliação de bastidores é que, se o pedido for atendido previamente, os clubes da Terceirona teriam menos incentivo para participar da assembleia. Integrantes da Libra negam, porém, que a medida tenha o objetivo de esvaziar o encontro, ressaltando que as discussões sobre o modelo de financiamento continuam abertas.
A histórica divisão entre os clubes dentro da Libra se intensificou desde o ano passado, principalmente por conta dos critérios de distribuição de receitas de audiência. O Flamengo defende uma fatia maior, enquanto Bahia e Palmeiras defendem maior equilíbrio na divisão, acirrando o debate que já chegou à Corte de Arbitragem, após tentativas frustradas de acordo.
Em setembro de 2025, o Bahia chegou a emitir nota oficial lamentando a postura do Flamengo de acionar a Justiça para contestar parte dos repasses de direitos de transmissão do Grupo Globo aos clubes da Libra. O Tricolor afirmou que o funcionamento da liga deve privilegiar a coletividade, destacando que o Flamengo, assim como os demais integrantes, assinou o contrato de forma livre e precisa respeitar o acordo firmado. A posição do Bahia reforça a ideia de buscar um modelo de gestão mais uniforme para todos os participantes.
Outro ponto de conflito envolve a gestão da entidade. O Flamengo alega que a Libra está sem diretores institucionais desde o fim do mandato em fevereiro. Já o grupo Bahia, Palmeiras e Red Bull entende que houve uma prorrogação de 60 dias, mantendo André Rocha (Red Bull) e Raul Aguirre (Bahia) nos cargos. Há também discordâncias sobre a atuação de executivos da liga e sobre perdas financeiras no contrato com a Globo, que não prevê reajustes automáticos — cenário que pode gerar uma queda de cerca de 10% nas receitas dos clubes.
Nos bastidores, o grupo formado por Bahia, Palmeiras e Red Bull Bragantino interpreta os movimentos do Flamengo como uma tentativa de ampliar a influência dentro da Libra. Enquanto isso, Atlético-MG, Santos e São Paulo ainda não definiram posição clara: o time mineiro mantém diálogo com ambas as frentes, enquanto os paulistas participam pouco das discussões. Procurado, o Palmeiras optou por não comentar o caso.
Como isso pode impactar o futuro da Libra e a distribuição de recursos entre clubes de diferentes regiões, é uma questão que continua em aberto. A tendência é que novos desdobramentos venham a público conforme as negociações entre os grupos se intensificam e a assembleia se aproxima. Deixe sua opinião nos comentários: você acha que a divisão de receitas deveria privilegiar clubes da Série C ou manter o equilíbrio entre todas as séries?

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