Nesta quarta-feira, 18 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional da Imigração Judaica, data que reconhece a contribuição do povo judeu para a formação da sociedade brasileira. Instituída por lei em 2009, a celebração ganha significado pelo número 18, que em hebraico remete à palavra “chai”, simbolizando a vida. O tema ganha ainda contorno ao destacar a presença judaica na Bahia, com foco em Salvador, suas trajetórias históricas e as ações atuais de moradores envolvidos na herança cultural.
Para entender a presença judaica na Bahia, o Bahia Notícias consultou historiadores e representantes locais, que destacam dois grandes períodos históricos. A doutora em História Social Suzana Maria de Sousa aponta um primeiro momento entre os séculos XVI e XVIII, durante o Brasil Colônia, seguido de um segundo movimento a partir do século XX, especialmente no contexto da Segunda Guerra Mundial, que impulsionou a imigração europeia para a região.
Segundo a pesquisadora, os chamados cristãos-novos chegaram ao Brasil fugindo da Inquisição. Embora enfrentassem discriminação, conseguiam conviver e manter relações comerciais com outros grupos da sociedade colonial. Quando a Inquisição expedía mandados de prisão, as origens judaicas eram reveladas e as situações mudavam, mostrando um padrão de convivência precária entre inclusão econômica e exclusão religiosa.
Ao longo dos séculos, muitos imigrantes passaram a ocupar posições de destaque econômico, como senhores de engenho. Um exemplo citado é Heitor Antunes, que teria erguido uma espécie de sinagoga clandestina, chamada de “esnoga”, na região onde hoje fica Candeias. Segundo ele, Antunes construiu um latifúndio e, mesmo com a proibição de práticas religiosas judaicas, mantinha atividades de forma discreta.
No século XX, a imigração ganhou novo impulso com a chegada de judeus vindos da Europa, principalmente da Rússia, Romênia, Polônia e da região da Bessarábia. Esse movimento marcou o início de uma organização grupo judaico mais estruturada em Salvador. O presidente da Sociedade Israelita da Bahia, Mauro Brachmans, explica que a presença mais organizada começou por volta da década de 1920, com dados históricos que já indicavam a vinda de judeus europeus.
Segundo ele, em 1925 foi criada uma pequena sinagoga em uma residência particular, já sinalizando uma vida judaica ativa na cidade. A organização formal do grupo judaico se consolidou a partir de 1947, mantendo atividades até os dias atuais. Hoje, Salvador abriga sinagogas ativas, como a da Sociedade Israelita da Bahia, na Pituba, e outra vinculada à linha Beit Chabad, na Barra. Além das práticas religiosas, moradores promovem ações culturais, educacionais e sociais abertas ao público.
Sobre o antissemitismo, Mauro Brachmans afirma haver preocupação, embora o ambiente local seja considerado mais tranquilo do que em outras regiões do mundo. Ele ressalta a necessidade de cooperação com as autoridades para coibir qualquer forma de discriminação, mantendo vigilância e diálogo com a sociedade para zelar pela convivência.
A história da presença judaica na Bahia revela um caminho de convivência, resistência e participação na vida pública, contribuindo para a diversidade da cidade. Reconhecer esse capítulo ajuda a entender a riqueza de Salvador como localidade de pluralidade religiosa. E você, que leitura faz desse percurso histórico? Deixe nos comentários suas opiniões sobre a importância de celebrar o Dia Nacional da Imigração Judaica e o papel da Bahia nesse enredo.

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