Ex-sócio do Master: Empresário baiano Augusto Lima não deve fazer delação premiada apesar de temor do Planalto, diz colunista

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A possibilidade de uma delação premiada envolvendo o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, não deve se concretizar neste momento, segundo informações de bastidores. O cenário, segundo fontes, tende a reduzir a apreensão de interlocutores do Palácio do Planalto em relação ao caso, em meio a uma operação de bastidores que envolve aspectos legais, políticos e corporativos. A leitura atribui essa trajetória ao fato de Lima não ter sinalizado, até o momento, disposição para adotar uma linha de colaboração com as investigações que poderia alterar o equilíbrio do quadrilátero empresarial e político em torno do setor financeiro baiano.

Segundo relatos colhidos, Lima não estaria adotando a mesma estratégia de Vorcaro, que avalia colaborar com as investigações. A defesa afirma que a atuação de Lima ocorreu dentro da legalidade e destaca que ele se afastou do Banco Master antes do agravamento da crise enfrentada pela instituição. O posicionamento vem expresso por pessoas ligadas à defesa, citando que o escritório Figueiredo & Velloso Advogados atua no caso, com o sócio Pedro Ivo Velloso à frente, e que essa corrida jurídica não costuma recorrer a delações premiadas como instrumento frequente.

Entre os envolvidos, Lima é apontado como quem mantém maior proximidade com integrantes do PT. A relação teria começado em 2018, durante a gestão de Jaques Wagner à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo de Rui Costa. Naquele período, Lima venceu a licitação para aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.

O CredCesta passou a ser um ativo central criado por Lima e, posteriormente, difundido em outros estados. Em 2020, Lima ingressou na sociedade do Banco Master levando o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos da instituição. Esse movimento consolidou um vínculo estratégico entre os investimentos de Lima e a expansão de serviços voltados a servidores públicos, oferecendo um modelo que seria replicado em diferentes localidades. A informação sustenta que o CredCesta, ao compor a oferta de produtos do Master, ajudou a manter a relevância do grupo no cenário financeiro regional.

Outro elemento do relato diz respeito à atuação de Vorcaro, cuja trajetória também é marcada por desdobramentos que impactaram a percepção pública. Lima é descrito como discreto e teria assumido o controle do banco Voiter, que foi rebatizado como Banco Pleno e, posteriormente, liquidado pelo Banco Central. A defesa de Lima utiliza o desligamento da sociedade com o Banco Master como peça central da narrativa: o afastamento ocorreu cerca de um ano antes da tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Essa linha argumentativa busca afastar suspeitas de envolvimento direto em operações que pudessem comprometer a integridade da instituição.

O conjunto de informações reúne relatos de pessoas próximas, que apontam que Lima manteve uma relação próxima com integrantes do PT, o que alimenta leituras sobre a influência política cruzada entre as esferas pública e privada. Os interlocutores citam que, em 2018, a relação com Jaques Wagner teve papel relevante na agenda de desenvolvimento econômico da Bahia e na estratégia de negócios envolvendo o CredCesta. Em suma, o caso reflete um entrelaçamento complexo entre atuação empresarial, relações políticas regionais e as consequências de decisões estratégicas envolvendo instituições financeiras de perfil regional.

Enquanto o andamento jurídico e político permanece sob escrutínio, a avaliação geral entre as fontes é de que Lima buscou manter as suas ações dentro dos limites legais, com a separação do Banco Master ocorrendo antes dos movimentos de maior tensão na instituição. A história do CredCesta e a trajetória de Lima, associadas à rede de contatos com figuras do poder na Bahia, continuam a figurar como elementos centrais para entender o cenário econômico da região e o peso das relações entre o setor financeiro e a política local.

Como você lê esse cenário? Acha que as relações entre empresários da Bahia e figuras políticas influenciam de maneira relevante as decisões institucionais? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre as implicações econômicas e políticas para a região.

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