A Prefeitura de Salvador abriu licitação para instalar um sistema de proteção a banhistas no Porto da Barra, incluindo sinalização náutica no mar da praia e a construção de uma plataforma. O objetivo é oferecer maior segurança aos frequentadores, especialmente em áreas turísticas bastante movimentadas, por meio de um conjunto de medidas que orientam a navegação e limitam o acesso de embarcações à faixa de areia.
O certame, promovido pela Secretaria Municipal de Gestão (Semge), prevê a contratação de uma empresa especializada em engenharia para a construção da plataforma e a implantação do balizamento marítimo. A abertura da sessão para as empresas interessadas em participar da licitação está marcada para o dia 30 de março, às 9h, fortalecendo o esforço da cidade para estruturar a proteção de banhistas na região do Porto da Barra.
A organização vencedora terá também a responsabilidade de instalar o sistema de balizamento no mar — um conjunto de sinais, bóias e balizas que orientam a navegação, definem canais e sinalizam áreas seguras e perigosas da região. A iniciativa visa não apenas inserir tecnologia e sinalização, mas criar uma barreira prática que reduza incidentes envolvendo embarcações próximas à faixa de areia.
Relatos de frequentadores da Barra, apurados em abril de 2024, indicam que já existem bóias na área instaladas pela prefeitura, mas com o objetivo de proteger o ecossistema marinho. A prefeitura reconhece, porém, que a simples presença de equipamentos pode não bastar para conter comportamentos de quem opera motos aquáticas, que muitas vezes desrespeitam limites de aproximação.
Para os banhistas, especialistas apontam que a solução mais eficaz seria a implementação de estruturas de bóias que criem limites reais de aproximação de embarcações. A ideia é tornar mais perceptível e efetiva a distância segura entre pessoas na água e o tráfego de barcos, reduzindo riscos de colisões e de incidentes graves.
A medida ganha ainda importância diante dos acidentes ocorridos na Baía de Todos-os-Santos. Um levantamento da Capitania dos Portos e da Marinha, referente aos últimos 10 anos, aponta 238 acidentes e 47 mortes na região. Em janeiro deste ano, um homem faleceu após se afogar na praia do Porto da Barra; em março de 2025, outra pessoa foi resgatada em situação semelhante, e em abril de 2024 houve a morte de um mergulhador na mesma área. Esses episódios alimentam o debate público sobre limites de aproximação de embarcações à faixa de areia, especialmente em períodos de maior fluxo de visitantes.
Especialistas ouvidos pelo Bahia Notícias destacam a necessidade de estabelecer regras mais claras para a proximidade de barcos e motos aquáticas à área de lazer da cidade, onde a maioria dos banhistas concentra-se. O modelo de balizamento já foi implementado com sucesso em outras localidades, como a Ilha dos Frades, onde a Área de Proteção Cultural e Paisagística foi balizada para evitar aproximação de embarcações. Em Loreto, a decisão de 2008 sobre a proteção ambiental levou, quatro anos depois, a novas sinalizações no mar, restringindo atividades àquelas compatíveis com a proteção da área — prática que se traduz em maior segurança para moradores e visitantes.
Com o processo licitatório em curso, a cidade pretende replicar a estratégia de balizamento em áreas turísticas e receber aportes técnicos que favoreçam a gestão de risco nas praias mais procuradas. A iniciativa busca não apenas infraestrutura, mas uma mudança de comportamento necessária para ampliar a proteção dos frequentadores do Porto da Barra e de outras praias da região.
Se você vive na cidade, frequenta a Barra ou utiliza o mar da região, compartilhe suas experiências, dúvidas e sugestões sobre a nova sinalização e as medidas de proteção para banhistas. Sua opinião pode contribuir para futuros ajustes na gestão de segurança nas praias da região e orientar decisões públicas que impactam a vida cotidiana de moradores e visitantes.

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