A prefeitura de Queimadas, na região sisaleira da Bahia, prepara o lançamento da moeda social Itapicuru, uma iniciativa digital que busca fortalecer a economia local ao manter os recursos circulando dentro do município. Com paridade de 1:1 com o real, a moeda terá uso inicial em programas sociais e será aceita em estabelecimentos comerciais previamente cadastrados, propondo uma resposta direta aos desafios econômicos da região.
O projeto nasce de uma série de debates entre a gestão municipal, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a assessoria de educação, apoiados em experiências já aplicadas em outras cidades. Segundo o procurador do município, Henri Hermelino, a iniciativa ganhou força após a troca de experiências com Indiaroba, em Sergipe, quando o prefeito e o ex-prefeito locais estiveram presentes e despertaram o interesse pela moeda social própria.
A Itapicuru será exclusivamente digital e terá paridade com o real, ou seja, cada Itapicuru valerá R$ 1. A moeda deverá ser utilizada, inicialmente, em programas sociais do município, substituindo a entrega direta de benefícios como cestas básicas por repasses em moeda social para compras em comércios cadastrados. Além disso, propostas como o auxílio enxoval também poderão ser convertidas para esse novo modelo, ampliando o impacto dentro da cidade.
A proposta busca impedir a saída de recursos da cidade, estimulando a circulação interna. “A gente vai deixar de ter esse dinheiro saindo daqui pra rodar dentro do próprio município. Então é uma injeção econômica muito grande e traz um desenvolvimento social muito maior para a cidade”, destaca Hermelino, ao explicar que o funcionamento depende da atuação da moeda na prática. O sistema deve operar por meio de um aplicativo, similar ao Pix, e a prefeitura planeja uma licitação para contratar a plataforma digital responsável pelas transações.
Para garantir o acesso de quem tem menos familiaridade com tecnologia, a gestão municipal planeja pontos de apoio e orientação. Comerciantes de diversos setores poderão se cadastrar para aceitar a moeda, ampliando a rede de aceitação no comércio local.
Antes de encaminhar o projeto de lei à Câmara, houve uma rodada de discussões públicas com comerciantes, vereadores, lideranças políticas e a população, incluindo audiência pública. Segundo o procurador, a aceitação foi excelente entre os diferentes setores, fortalecendo o apoio à proposta.
O lançamento oficial está previsto para o final de março, durante a feira da agricultura familiar do município. A gestão reconhece, porém, que o funcionamento prático só poderá ser avaliado depois que a moeda começar a rodar, quando surgirem dados sobre a adesão e o uso real.
No estado da Bahia, as iniciativas de moeda social ainda são recentes. Além de Queimadas, há no Portal do Sertão estudos em Santa Bárbara e, no Piemonte Norte do Itapicuru, discutem-se modelos semelhantes em Jaguarari. Para Hermelino, a expectativa é que Queimadas se torne referência regional e possa difundir esse conhecimento para outras localidades, fortalecendo o ecossistema econômico local ao longo do tempo.
Se você acompanha a evolução dessa iniciativa, participe compartilhando perguntas, sugestões ou experiências. O que acha de moedas sociais como instrumento para fortalecer a economia da cidade? Deixe seu comentário e contribua com o debate sobre a Itapicuru em Queimadas.

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