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O debate sobre o status de Plutão, que já dura duas décadas, ganhou um novo capítulo. Jared Isaacman, bilionário e atual administrador da NASA, reacendeu a polêmica ao sugerir que o presidente Donald Trump deveria intervir para tornar Plutão um planeta novamente.
“Eu apoio 100% o presidente Trump em tornar Plutão grande de novo”, afirmou Isaacman em entrevista exclusiva ao Daily Mail, fazendo um trocadilho com o famoso slogan político (“Make America Great Again“). Para ele, a mudança seria uma forma de honrar as contribuições do astrônomo Clyde Tombaugh, que descobriu o objeto em 1930.
A política pode mudar a ciência?
Apesar do entusiasmo de Isaacman e do apoio público de figuras como Elon Musk e William Shatner, a astronomia não funciona por decretos governamentais, conforme explica o IFL Science. A autoridade máxima para nomear corpos celestes e definir termos astronômicos é a União Astronômica Internacional (IAU), uma organização não-governamental independente de qualquer país.
Em 2006, a IAU estabeleceu três critérios para que um objeto seja considerado um planeta:
- Orbitar o Sol.
- Ter massa suficiente para assumir uma forma quase redonda (equilíbrio hidrostático).
- Ter “limpado a vizinhança” de sua órbita.
Plutão falha no terceiro item, pois sua órbita cruza com a de Netuno e é compartilhada por outros objetos do Cinturão de Kuiper. Por isso, foi reclassificado como planeta anão.
O argumento americano
A insistência de Isaacman e de outros políticos americanos no passado é vista por muitos como uma questão de orgulho nacional, já que Plutão foi o único planeta (até 2006) descoberto por um americano.
No entanto, Plutão não foi o primeiro a “perder o cargo”: Ceres, o maior objeto do cinturão de asteroides, também foi chamado de planeta por décadas antes de ser reclassificado.
Enquanto a discussão política ferve, Plutão continua indiferente no limite do Sistema Solar:
- Ainda na primeira volta: desde que foi descoberto, em 1930, Plutão ainda não completou uma órbita inteira ao redor do Sol. Isso só deve acontecer em março de 2178.
- Órbita peculiar: suas cinco luas, na verdade, não orbitam o planeta anão diretamente, mas sim um ponto no espaço fora dele (o baricentro), devido ao tamanho relativo da lua Caronte.
Resta saber se, caso o status do astro mude, a banda potiguar Plutão Já Foi Planeta terá que considerar um novo nome também.


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