Em palestra na OAB-RJ, André Mendonça diz que não é “salvador” e que “papel de um bom juiz não é ser estrela”

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“Não tenho a pretensão de ser o salvador de nada.” A frase abriu a palestra do ministro André Mendonça nesta manhã de sexta-feira (20), na Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro. Relator de alguns dos casos mais polêmicos do STF, Mendonça destacou que não busca ser o salvador do país, mas agir com ética e responsabilidade, a partir de motivos legítimos. A plateia de advogados ouviu uma mensagem de humildade aliada a um compromisso firme com princípios constitucionais, evidenciando a crença de que a Justiça precisa manter o foco no que é correto, sem prometer soluções mágicas.

Ao chegar, Mendonça foi recebido pela presidente da OAB-Rio, Ana Basílio, que o descreveu como alguém “enviado por Deus para que valores como ética e honra voltem a prevalecer no país”. Em sua fala, o ministro reforçou que não se vê como uma “esperança” de salvação, mas como alguém que pretende cumprir a função pública com integridade. Ele enfatizou a responsabilidade diária de cada profissional do Direito e afirmou que a carreira deve ser orientada por princípios que a Constituição reconhece, não pela busca de reconhecimento pessoal.

Mendonça também traçou traços de sua trajetória na vida pública, passando pela Advocacia-Geral da União e pela gestão do Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro. Para ele, optar pela advocacia é escolher transformar os princípios constitucionais em prática cotidiana. Em tom direto, afirmou que “ganhar dinheiro não seja o objetivo”, deixando claro que, se ocorrer, o ganho deve derivar de princípios bem enraizados. O foco, assegurou, é a justiça efetiva, não o brilho individual de quem atua na área pública.

Sobre a magistratura, Mendonça reforçou que o papel do juiz é julgar de forma correta. “Acho que este é o papel de um bom juiz – não é ser estrela”, comentou, recebendo aplausos da plateia. Durante a palestra, o ministro não mencionou diretamente o caso Master, mas sua atuação continua ligada aos desdobramentos dos casos de maior relevância no STF, incluindo investigações ligadas ao Banco Master e aos desdobramentos sobre fraudes no INSS.

No âmbito das delações, Mendonça atua nos bastidores de negociações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na quinta-feira (20), Vorcaro foi transferido da penitenciária federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em meio a discussões sobre uma delação premiada. A defesa do banqueiro, a Procuradoria-Geral da República e a PF assinaram um acordo de confidencialidade, etapa inicial para avaliar a viabilidade de uma colaboração que, se firmada, pode impactar investigações de grande alcance para a Justiça brasileira.

A atuação de Mendonça, agora relator de casos espinhosos e interlocutor de negociações estratégicas, indica uma agenda firme de enfrentamento à corrupção pela via ética, com juízes, advogados e autoridades atuando sob princípios constitucionais. A discussão sobre como a Justiça pode manter a credibilidade diante de grandes processos continua a provocar reflexões entre especialistas e na sociedade. Compartilhe suas impressões sobre o papel da ética no Judiciário e na advocacia e participe do debate nos comentários.

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