Resumo rápido: O prefeito de Cavalcante, Vilmar Souza Costa, o Vilmar Kalunga, reagiu a uma reportagem que mostrou que o imóvel onde funciona a sede de uma empresa contratada pela prefeitura fica no endereço de sua residência. Os contratos, que somam quase R$ 1 milhão, foram firmados com a Savana Agrobio Ltda. e, segundo a matéria, a licitação teve apenas uma empresa participante. A prefeitura afirma que vai apurar o caso, enquanto o prefeito acusa perseguição política por parte de antigos adversários. A matéria também aponta ligações entre familiares do prefeito e a fiscalização dos contratos, além de adiamentos que estenderam os acordos até o fim de 2026.
Detalhes centrais dos contratos A Savana Agrobio Ltda. aparece citada em dois contratos celebrados pela prefeitura de Cavalcante, que somam R$ 936.986,99. Os serviços envolvem kits para microfábricas de bioinsumos, capacitação, assistência rural e operação de unidades móveis no território Kalunga, uma região quilombola. Os acordos nasceram a partir de pregões públicos, modalidade em que empresas disputam por lances, mas, em ambos os casos, apenas uma empresa apresentou proposta: a Savana.
O primeiro contrato, firmado em 14 de outubro de 2025, chegou a R$ 653.000 e prevê capacitação técnica, operação assistida de unidades de beneficiamento de farinha, óleo vegetal, arroz e baru, além de serviços de assistência técnica e extensão rural. O segundo, em 21 de outubro, teve o valor de R$ 283.986,99 e envolve a aquisição de 63 kits de microfábricas de bioinsumos e a capacitação de 62 famílias Kalunga, além de servidores da Secretaria de Agricultura.
Concessões e supervisão sob suspeita Em 30 de dezembro, pouco mais de dois meses após as assinaturas, a prefeitura firmou aditivos prorrogando os contratos até 31 de dezembro de 2026. As prorrogações contaram com a presença de testemunhas ligadas ao universo político local: Henrique dos Santos Rosa, sócio da Savana Agrobio e filho do vereador Salviano Santos (União Brasil), aliado ao prefeito, e Wanderleia dos Santos Rosa, ex-secretária de Educação. Além disso, a fiscalização dos contratos fica a cargo do secretário municipal de Agricultura, Joã o Filho Souza Costa, que é irmão do prefeito.
Endereço registrado e respostas da gestão O prefeito Vilmar Kalunga, durante a manifestação pública, não negou haver relação entre a sede da Savana Agrobio e o endereço cadastrado no CNPJ que aponta para a sua residência. Em entrevista ao Metrópoles, Vilmar disse não conhecer a empresa e afirmou que o endereço consta por o irmão manter uma loja no mesmo lote, chamada “Casa da Rosa”, embora moradores afirmem que o estabelecimento não funciona há anos. Questionado sobre a contratação, o prefeito disse não ter conhecimento do caso e prometeu encaminhar o assunto aos secretários de Gestão, Danilo Antonio Ferreira, e de Agricultura, Joao Filho Souza Costa, para apuração.
Perseguição política e contexto local Em entrevista publicada pela reportagem, Vilmar Kalunga afirmou que há uma percepção de perseguição política na cidade. Segundo ele, Cavalcante não tem histórico de reeleições em muitos anos e ele, vindo da zona rural, trabalha com base sólida. Em suas palavras, há políticos “velhos” tentando desmoralizar um gestor que atua em prol dos moradores que precisam de apoio, e não de projetos que promovam apenas discussões políticas.
Aspectos adicionais e o cenário de licitação A reportagem detalha que, nos dois pregões, a Savana Agrobio foi a única participante, o que suscita questionamentos sobre a competitividade do processo. A documentação também aponta que as prorrogações tiveram a participação de pessoas com vínculos próximos à coordenação municipal, o que alimenta a discussão sobre transparência e monitoramento público. A prefeitura, por sua vez, sustenta que os contratos são legítimos e que serão alvo de apuração pelas instâncias competentes.
Composição política e implicações locais A relação entre o secretário de Agricultura, Joao Filho Souza Costa, e o prefeito Vilmar Kalunga, que são irmãos, é destacada pela imprensa como fator relevante para o acompanhamento das contratações. A presença de testemunhas ligadas ao entorno político do prefeito nas prorrogações reforça a percepção de que a gestão está sob escrutínio público. A prefeitura afirma que as ações de fiscalização devem garantir a lisura dos procedimentos, sem prejuízo aos serviços para os moradores, especialmente na região Kalunga.
Convite ao debate Este caso levanta questões sobre transparência, conflitos de interesse e eficiência da aplicação de recursos públicos, especialmente em áreas carentes como a região Kalunga. Como você vê as informações apresentadas? A cidade merece uma investigação independente para esclarecer o andamento dos contratos e a relação entre as partes envolvidas? Compartilhe sua opinião e contribua com o debate público nos comentários.


Comentários do Facebook