A prefeitura de Cavalcante, em Goiás, firmou contratos com a Savana Agrobio Ltda para capacitação técnica, bioinsumos e serviços de assistência rural na região Kalunga. O portal da Transparência aponta R$ 936.986,99, mas o prefeito Vilmar Kalunga sustenta que, com aditivos, o montante pode chegar a quase R$ 3 milhões, levantando dúvidas sobre a relação entre o poder público e a empresa contratada, cuja sede fica no mesmo imóvel do chefe do Executivo.
Primeiro acordo— assinado em 14 de outubro de 2025, no total de R$ 653 mil, prevê capacitação técnica e operação assistida de unidades móveis de beneficiamento de farinha, óleo vegetal, arroz e baru, além da prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural para a região Kalunga.
Segundo acordo— assinado em 21 de outubro de 2025, no valor de R$ 283.986,99, destinou-se à aquisição de 63 kits de microfábricas de bioinsumos e à capacitação técnica de 62 famílias da região Kalunga, com a participação da equipe da Secretaria Municipal de Agricultura de Cavalcante.
Em 30 de dezembro, pouco mais de dois meses após as assinaturas, a prefeitura firmou termos aditivos para prorrogar as vigências até 31 de dezembro de 2026. Os empenhos — valores reservados para pagamento — chegam a R$ 1.176.484,74. Até o momento, no entanto, há registro de apenas um pagamento à Savana, no valor de R$ 54.416,66.
Documentos obtidos pelo Metrópoles revelam que o imóvel registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Savana pertence ao prefeito Vilmar Kalunga. Ele afirmou que aluga um imóvel comercial que fica no mesmo lote de sua casa para a empresa, descrevendo-o como um ponto comercial com mais de 20 anos de existência, localizado na Avenida Tiradentes. A versão inicial da prefeitura havia negado o conhecimento da empresa; a reportagem, porém, apurou que o estabelecimento chamado “Casa da Roça” fica no mesmo lote e, segundo moradores, não funciona há anos.
Em resposta às informações, Vilmar Kalunga declarou que há uma perseguição política na cidade por parte de antigos políticos que buscam prejudicá-lo. A prefeitura informou que os fatos estão sendo apurados internamente e que, após a conclusão, os resultados serão encaminhados aos órgão competentes para análise.
Irmão fiscaliza o contrato— os acordos com a Savana decorrem de pregões públicos, modalidade na qual empresas disputam por meio de lances, vencendo quem apresenta a proposta de menor preço que atenda aos critérios técnicos. Nos dois casos, porém, apenas a Savana Agrobio Ltda apresentou propostas. A fiscalização dos contratos ficou a cargo do secretário municipal de Agricultura, Joao Filho Souza Costa, irmão do prefeito, que ocupa o cargo desde janeiro de 2023. Em nota ao Metrópoles, a prefeitura informou que os fatos estão sendo apurados internamente e que, ao final, os resultados serão encaminhados aos órgãos competentes para análise.
A leitura dos documentos públicos evidencia um tema central: a relação entre contratos distribuídos por meio de pregões, a fiscalização feita por familiares do prefeito e as alegações de conflito de interesse. As informações disponíveis até agora apontam para situações que merecem transparência e apuração criteriosa por parte dos órgãos competentes, com atenção à integridade do processo público.
Se você acompanhou as informações sobre Cavalcante e tem uma opinião ou pergunta sobre como a administração lida com contratos, uso de imóveis ligados ao poder municipal e fiscalização interna, deixe seu comentário. Sua participação ajuda a entender melhor o que está em jogo na gestão local da região Kalunga.




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