Resumo: em Campinas, uma professora da Unicamp foi presa pela Polícia Federal em operação que investiga o furto de material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada. O material apreendido foi encaminhado ao MAPA com apoio da Anvisa; a universidade instaurou sindicância interna e as investigações buscam esclarecer as circunstâncias e responsabilizar os envolvidos.
A prisão aconteceu na tarde de segunda-feira, 23 de março, durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão. A suspeita é Soledad Palameta Miller, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, cuja atuação abrange ciências de alimentos, biotecnologia e virologia, vinculada ao Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição (DECAN).
A defesa, representada pelo advogado Pedro de Mattos Russo, afirmou que não se manifestará sobre o caso neste momento em razão do sigilo decretado pela Justiça. Segundo ele, a atuação busca preservar a segurança jurídica e o devido processo legal, limitando manifestações ao âmbito judicial.
A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o furto de material de pesquisa. Paralelamente, a ação foi conduzida pela Polícia Federal, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, o material subtraído foi localizado e encaminhado ao MAPA com apoio técnico da Anvisa. As instituições envolvidas mantêm sigilo sobre informações relativas ao tipo do material biológico furtado.
A professora está ligada ao DECAN, onde desempenha atividades de ensino, pesquisa e extensão. Formada em Biotecnologia pela Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, Soledad Palameta Miller é doutora em Ciências pela Unicamp, na área de fármacos, medicamentos e insumos para a saúde. Ao longo da carreira, participou de projetos em vetores virais, imunomodulação, anticorpos monoclonais voltados ao tratamento de câncer e estudos sobre vacinas e diagnósticos.
Ela realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp, com foco em vacinas vetorizadas e diagnósticos de doenças, e participou de iniciativas de vigilância de vírus zoonóticos. Atualmente, segundo dados institucionais, coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com pesquisas voltadas para vigilância epidemiológica e o desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas a vírus transmitidos por alimentos e água, no âmbito do conceito “One Health”.
Investigações e possíveis consequências apontam que as apurações visam esclarecer as circunstâncias do caso. Os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
O episódio reacende o debate sobre biossegurança e a supervisão de materiais biológicos em instituições públicas de pesquisa, lembrando a importância da integridade de procedimentos para a confiança da cidade e da região na produção científica. A Unicamp afirma colaborar com as investigações e manterá o sigilo das informações pertinentes.
Deixo abrir espaço para sua leitura sobre o tema: como você avalia os controles em laboratórios educativos e qual o impacto disso na percepção da população sobre a pesquisa científica na nossa cidade?

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