Golpe do falso advogado: 16 são presos em “call center” na zona leste

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No que pode ser considerado uma virada significativa no combate a golpes, a Polícia Civil de São Paulo desarticulou um call center que aplicava o golpe do falso advogado e outros esquemas de estelionato, prendendo 16 suspeitos em Ermelino Matarazzo, na zona leste da cidade. A operação revelou uma estrutura tecnológica complexa, com captação de dados, criação de perfis falsos e pagamento de taxas judiciais adiantadas, tudo organizado para induzir vítimas a crer que tinham direito a valores a receber. O arsenal apreendido incluiu veículos, equipamentos e aparelhos diversos, evidenciando o alcance do crime.

A investigação teve início a partir de uma denúncia anônima que apontava o imóvel utilizado como central de golpes. Os investigadores acompanharam a movimentação no local, com entrada e saída constantes de pessoas, até que um suspeito confessou que ali funcionava uma central equipada com notebooks e outros dispositivos tecnológicos para sustentar as fraudes.

Características da operação indicam uma atuação estruturada. O grupo separava funções, desde a captação de dados de processos públicos até a criação de perfis falsos, o contato com a vítima e a operação prática das transações ilícitas. A montagem tecnológica permitia a gestão de golpes de forma eficiente, com a circulação de valores obtidos de maneira irregular.

No total, os investigadores apreenderam um conjunto expressivo de bens: dois carros, uma moto, R$ 1.000 em espécie, duas máquinas de cartão, 36 celulares, 58 cartões bancários, além de diversos notebooks e fones de ouvido headset. Tais itens demonstram a dimensão e a organização do grupo, que utilizava recursos tecnológicos para facilitar as operações criminosas.

Segundo apurado, o golpe envolvia criminosos que se passavam pelo advogado da vítima, afirmando que havia um processo judicial com dinheiro a recebimento, como indenização ou causa ganha. Para liberar o valor, era exigida uma taxa antecipada, que não passava de uma cobrança falsa para induzir a vítima a transferir recursos. Uma vez recebida a quantia, o grupo simplesmente cortava contato e desaparecia.

A investigação também mostrou o vínculo entre os envolvidos e o proprietário do imóvel utilizado pela central. O imóvel, alugado para a atuação criminosa, contava com a presença de um suspeito que possuía vínculos com os demais integrantes e histórico de antecedentes, reforçando a ideia de uma operação organizada com apoio logístico.

O caso foi registrado como associação criminosa, estelionato e localização e apreensão de objeto e de veículo na delegacia competente da região central. A apuração indica que o bando atuava de forma articulada, com divisão de tarefas bem definida, o que dificultava a detecção inicial e ampliava o alcance do golpe até a saída de vítimas lesadas com valores significativos.

Essa operação serve como alerta para a população: golpes que se passam por advogados costumam explorar dados públicos para se apresentar como representantes legais, prometendo vantagens indevidas mediante pagamento de encargos simulados. A Polícia Civil segue monitorando possíveis desdobramentos e trabalhando para identificar outras pessoas envolvidas e desarticular redes similares que se utilizem de tecnologia para atrair vítimas.

Se você recebeu ligações ou mensagens aparentando cobrança de taxas judiciais ou valores a título de indenização, mantenha a calma, verifique a procedência e procure orientação jurídica. Compartilhe nos comentários experiências semelhantes ou dúvidas sobre como reconhecer golpes desse tipo, para ajudarmos a proteger moradores e regiões contra esse tipo de fraude.

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