Trump diz que negociadores do Irã temem ser “mortos pelo próprio povo”

U.S. President Donald Trump
1 de 1 U.S. President Donald Trump – Foto: Kyle Mazza/Anadolu via Getty Images

Resumo em foco: Em meio a tensões no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que negociadores iranianos temem falar por receio de retaliação interna, enquanto Teerã diz manter contatos diários com Washington sem configurar diálogo formal. O governo americano avisa que pode agir com contundência se não houver progresso, e o Irã apresenta um plano de 15 pontos para encerrar o conflito.

O presidente dos Estados Unidos declarou, nesta semana, que os negociadores do Irã estão, na prática, negociando, mas temem falar por temerem serem mortos pelo próprio povo. “Eles estão negociando, aliás, e querem muito chegar a um acordo, mas têm medo de falar porque acham que serão mortos pelo próprio povo”, disse Trump. “Eles também têm medo de serem mortos por nós”, completou.

Nessa mesma linha, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que há contato diário entre Teerã e Washington, porém ressaltou que esse tipo de comunicação não configura diálogo formal. “Mensagens sendo enviadas e respondidas com advertências não se chamam negociação; é uma troca de mensagens”, afirmou Araghchi, destacando a decepção com a cadência das comunicações.

Mais cedo, a Casa Branca disse estar pronta para “desencadear o inferno” caso não haja avanços em um acordo de paz no Oriente Médio. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que “o presidente não blefa e está preparado para desencadear o inferno” se o Irã não aceitar a realidade do momento. Ainda segundo informações divulgadas nesta semana, Trump mencionou que o Irã deseja um acordo e está conversando com uma “pessoa importante” do regime de Teerã que não é o líder supremo Mojtaba Khamenei. Na terça-feira (24/3), o Irã enviou um plano de 15 pontos com o objetivo de encerrar a guerra na região.

Porém, a resposta iraniana não veio sem contestação pública. O governo do Irã reagiu chamando atenção para a luta interna dentro do país. Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando unificado das forças armadas, questionou veementemente o que considera uma tentativa de negociação unilateral, dizendo: “O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você estar negociando consigo mesmo?”. A discussão ganhou ainda mais relevância com a divulgação do plano de 15 pontos, que busca apresentar uma rota para encerrar o conflito, conforme o governo iraniano. Enquanto isso, Washington mantém a posição de que a pressão máxima não foi encerrada e que mais passos podem ser dados dependendo do andamento das negociações.

O cenário de diplomacia tensa evidencia uma coreografia complexa entre dois atores com interesses estratégicos distintos, num momento em que o Oriente Médio continua sob observação internacional. A cada declaração, cada contato e cada gesto, as duas partes sinalizam linhas vermelhas e possibilidades de avanc?os, abrindo espaço para uma nova leitura sobre o que pode emergir daqui em diante. O desfecho ainda é incerto, mas o debate sobre paz, segurança e soberania permanece no centro das atenções globais.

E você, leitor: como enxerga esse embate entre Estados Unidos e Irã e o papel de terceiros no esforço por estabilidade na região? Compartilhe sua leitura, opinião ou pergunta nos comentários abaixo e contribua para o debate público sobre um tema que afeta dezenas de países e milhões de pessoas.

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