Resumo curto: a Viking Participações, empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, surge como peça central de investigações sobre ocultação de patrimônio após o colapso do Banco Master. A Justiça autorizou protestos de bens de alto valor, incluindo aeronaves e imóveis, para reforçar os direitos de credores. O texto apresenta um panorama de aquisições, relações entre empresas e operações que sugerem uso de estruturas para resguardar ativos e justificar ganhos imobiliários e aviação de luxo.
A Viking Participações foi criada em 2006 com o nome de Sociedade Educacional Saber LTDA e cresceu rapidamente ao lado de Vorcaro, cuja trajetória financeira ganhou notoriedade com o acúmulo de ativos ligados ao grupo financeiro do banquinho. Em 2017, o proprietário registrava cotas avaliadas em cerca de R$ 50 mil na Viking, e, já em 2024, o capital social da empresa atingava a casa dos hundreds de milhões de reais. Ao longo de 2024, ocorreram movimentações expressivas, com venda de cotas a fundos como Astralo 95 e Stern, totalizando vários centenas de milhões de reais, em operação alvo de investigações sobre origem e finalidade dos recursos.
Entre os desdobramentos, a Justiça abriu caminho para que bens em nome da Viking fossemeriados com o objetivo de evitar que desapareçam. A 3ª Vara de Falências de São Paulo estipulou o protesto de três aeronaves compradas por valores superiores a R$ 250 milhões e de dois apartamentos em um bairro de alto padrão na capital paulista, buscando recompor fundos de credores do Master, cuja liquidação pelo Banco Central deixou um rombo estimado em R$ 50 bilhões. O magistrado Adler Batista de Oliveira Nobre ressaltou que há indícios de que a Viking tenha atuado como veículo para ocultação de recursos, com ativos de luxo registrados formalmente em nome de uma empresa–ré vinculada ao ex-controlador.
O conjunto de evidências aponta para um ciclo de aquisição e alienação de ativos de alto valor. Entre eles, veículos de primeira linha: um Gulfstream GV-SP adquirido em junho de 2023 por around R$ 120 milhões; o jato tem capacidade para grandes deslocamentos e foi alienado recentemente. Outro modelo, o Dassault Falcon 7X de 2010, adquirido em agosto de 2023 por cerca de R$ 116,7 milhões, com capacidade para até 15 ocupantes, já teve uso até por forças aéreas e ficou conhecido por ter servido de meio de tentativa de evasão de Vorcaro antes de sua primeira prisão, em novembro do ano anterior. O terceiro equipamento aéreo é o Dassault Falcon 2000, adquirido em fevereiro de 2022 por R$ 21,3 milhões, com valor de mercado estimado acima de R$ 40 milhões.
Além das aeronaves, a ação judicial incluiu a identificação de imóveis de alto valor. No Itaim Bibi, a decisão trouxe ordens de protesto sobre um triplex com mais de 1.000 m², ainda em construção, e sobre um apartamento de menor porte, ambos no mesmo bairro. Documentos mostram troca de e-mails que indicam a tentativa de transferir o imóvel no dia da primeira prisão de Vorcaro. Em relação ao triplex, o fundamento aponta que parte do patrimônio poderia ter sido repassada de forma irregular entre empresas do grupo e fundos de investimento, em uma cadeia que envolveu o Master e a Viking com a finalidade de mascarar valor real do patrimônio.
O conjunto de provas também revela que a Viking participou de operações para a doação de um apartamento de luxo a uma mulher identificada como sugar baby, em um prédio de alto padrão na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, na Vila Nova Conceição, avaliado em cerca de R$ 4,3 milhões. O imóvel foi adquirido pela Viking e, subsequentemente, vendido a uma empresa ligada a Vorcaro, que chegou a doar o bem a terceiros, entre eles a influenciadora Karolina Santos Trainotti, em circunstâncias ainda não confirmadas pela Justiça. Essas transações reforçam as suspeitas de utilização de ativos para fins de favorecimento pessoal e blindagem patrimonial.
Especialistas ouvidos pela apuração indicam que as transações, a origem dos recursos e as camadas de intermediação entre bancos, fundos e empresas do grupo sugerem uma prática de inflar valores de ativos para maquiar o patrimônio, inclusive do Banco Master, e permitir camadas de controle que dificultem a localização de recursos. A defesa de Vorcaro, contatada pela equipe de reportagem, preferiu não se pronunciar sobre o tema, mantendo silêncio diante das decisões judiciais e das investigações em curso.
A reportagem continua acompanhando os desdobramentos do caso, com a expectativa de que novas informações venham a esclarecer a extensão das operações da Viking Participações e o real papel de Vorcaro nesse conjunto de transações. Enquanto isso, o processo avança para definir como os ativos serão revertidos aos credores do Master, mantendo o foco na necessidade de transparência e responsabilidade em operações de grande vulto. E você, o que acha dos desdobramentos deste caso e do uso de estruturas empresariais para preservar patrimônio em momentos de crise? Deixe seu comentário com sua opinião e perguntas.

Comentários do Facebook