Coronel preso disse ter testosterona de jovem e “libido altíssima”

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Caso de feminicídio envolve tenente?coronel da PM de SP; mensagens revelam pressão por relações íntimas e suspeita de homicídio

Resumo para leitura: Um tenente?coronel da Polícia Militar de São Paulo foi preso sob suspeita de matar a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro, em apartamento no Brás, região central da capital. Em depoimento, ele afirmou ter testosterona elevada, vinculando esse dado a uma libido muito alta. A investigação aponta feminicídio e recupera mensagens que sugerem cobrança de relações sexuais, além de evidências de que conversas apagadas do celular da vítima reforçam a hipótese de crime, não de suicídio. A Polícia Civil e o comando da PM avaliam o desligamento do oficial.

Segundo o inquérito, o casal vivia sob uma tensão crescente desde o final de 2024. A vítima foi encontrada com um disparo na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que moravam. A versão inicial do policial, de que Gisele teria se suicidado, passou a ser contestada à luz das perícias e das mensagens recuperadas, que indicam conflitos profundos no relacionamento.

Em depoimento, o oficial relatou exames realizados no fim de janeiro e afirmou que sua testosterona chegou a 939, índice que, segundo ele, equivaleria ao de jovens entre 16 e 21 anos. Nessa linha, ele relacionou o dado à própria libido, insinuando um componente biológico para o que descreveu como tensões sexuais no casal. A defesa sustenta que esses dados exemplificam apenas um estado hormonal, sem justificativa para violência.

“A minha testosterona […] deu 939, que nas tabelas lá do médico é uma testosterona de um jovem de 16 a 21 anos. Imagina eu ali meses, quase ali sem ter relação sexual”, afirmou o tenente?coronel, reforçando a ligação entre o dado hormonal e a libido alta.

As falas aparecem no contexto de uma tentativa de explicar a dinâmica íntima do relacionamento. Mensagens extraídas do celular da vítima mostram que Geraldo pressionava Gisele a manter relações sexuais como condição para certos direitos dentro do casamento, apontando o peso financeiro dele como provedor da relação. Em contrapartida, a soldado dizia que não aceitaria tal lógica e que precisava de espaço para a própria vida.

Em trechos citados no inquérito, Gisele resiste às cobranças, afastando a ideia de troca de afeto por moradia. Em uma resposta clara, ela afirmou: “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final.” Em outra passagem, a esposa indicou que deveria buscar a própria satisfação de forma independente, sinalizando distanciamento emocional significativo.

A investigação também revelou mensagens apagadas do celular da vítima, as quais, segundo a polícia, reforçam a tese de ruptura do relacionamento e minam a linha de defesa do oficial, que ainda sustenta a versão de suicídio. Os investigadores entendem que o conteúdo recuperado aponta para um cenário de desgaste, pressão psicológica e conflito crescente entre o casal.

Com o andamento das apurações, a Polícia Civil reforça que o caso é tratado como feminicídio. O oficial continua detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Em paralelo, o Comando da PM abriu um procedimento para avaliar o possível desligamento do militar, o que pode resultar em demissão ou expulsão, caso confirmadas as evidências de violência contra a mulher.

O caso permanece em andamento, com a sociedade acompanhando as investigações de perto. A divulgação de mensagens apagadas e o registro de comportamentos coercitivos reforçam o caráter grave das acusações contra o policial. A Justiça e as autoridades de segurança pública enfatizam que qualquer violação contra mulheres é tratada com rigor, e a resposta institucional dependerá das conclusões das perícias e da avaliação disciplinar interna.

Este é um caso emblemático que coloca em foco tensões dentro de relacionamentos, a pressão por padrões de comportamento e o peso de estruturas de poder. A cidade aguarda desfechos legais e institucionais, com impacto direto na imagem da Polícia Militar perante a comunidade local e a sociedade em geral.

Como você vê os desdobramentos deste episódio? Deixe sua opinião nos comentários abaixo, compartilhe pontos de vista e participe do debate sobre violência contra mulheres, violência institucional e responsabilidade de autoridades públicas.

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