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Risco de ofensiva por terra dos Estados Unidos assustou mercados nesta segunda-feira (30), fazendo a cotação global disparar e chegar a níveis sem precedentes na história
Por Jovem Pan 30/03/2026 11h14 Divulgação / Freepik
Petróleo chega a US$ 117 sob ameaça de invasão terrestre dos EUA no Irã
A cotação do petróleo aproximou-se da marca de US$ 115 por barril nesta segunda-feira (30), consolidando o que especialistas já apontam como a maior alta mensal em décadas. O avanço ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, com o Brent atingindo US$ 117 e o WTI superando os US$ 100. O movimento reflete as incertezas nos mercados globais após o fechamento do Estreito de Ormuz e a possibilidade de uma invasão terrestre dos Estados Unidos em território iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em entrevista ao Financial Times que cogita uma operação militar para assumir o controle da ilha de Kharg, o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Trump comparou a estratégia à intervenção na Venezuela e afirmou que o objetivo é “tomar o petróleo”.
Analistas de mercado, como Tamas Varga, da PVM Energy, alertam que uma invasão terrestre ou a retaliação total de Teerã contra infraestruturas energéticas pode levar o preço do barril a níveis sem precedentes.
“Se os Estados Unidos iniciarem uma invasão terrestre do Irã, possivelmente tomando a ilha de Kharg, ou se Teerã intensificasse os bombardeios de retaliação contra infraestruturas energéticas ou se fechasse totalmente o Estreito (de Ormuz), as projeções de 200 dólares por barril de petróleo deixarão de ser uma suposição de outro mundo”, disse.
O preço do petróleo nunca superou US$ 150 por barril, um recorde estabelecido em julho de 2008, mas a cotação do Brent do Mar do Norte aumentou quase 60% desde o início da guerra, no fim de fevereiro, e o do WTI, quase 30%.
O Irã bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos combustíveis mundiais. Atualmente, apenas navios de países aliados de Teerã têm passagem permitida. O impacto já é sentido com a escassez de combustíveis na Ásia e forte volatilidade nas Bolsas de Valores ao redor do mundo.
Ataques continuam Enquanto o mercado financeiro reage, o conflito permanece intenso. O Kuwait acusou o Irã nesta segunda-feira (30) de atingir uma usina de dessalinização e energia. Já a Arábia Saudita interceptou cinco mísseis balísticos. No país iraniano, bombardeios de Israel causaram apagões na capital, Teerã.
Israel também intensificou ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano, resultando em mais de 1.200 mortes desde o início de março e na morte de um soldado da ONU (UNIFIL).
O Paquistão tem atuado como mediador, recebendo ministros da Arábia Saudita, Turquia e Egito em Islamabad para buscar um cessar-fogo. Entretanto, o governo iraniano classificou a diplomacia americana como uma “cortina de fumaça”, citando o envio de 3.500 fuzileiros navais dos EUA para a região.
Apesar da tensão, o presidente Trump afirmou manter a confiança em uma solução negociada em breve, embora o envio de recursos militares e as ameaças de invasão indiquem um cenário de incerteza para o fornecimento global de energia nas próximas semanas.
*Com informações da AFP
Tags: Estados Unidos, Guerra, Irã, Petróleo Comentários
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