Idosa que infartou após superdosagem de adrenalina receberá R$ 300 mil de indenização

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Uma idosa de 81 anos será indenizada em R$ 300 mil após ter um infarto por culpa de um erro médico durante exame cardiológico em um hospital privado do Distrito Federal. A paciente recebeu superdosagem do medicamento adrenalina, o que quase a matou.

O caso completa dois anos na próxima quinta-feira (2/4), mas, em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) reconheceu o erro médico e condenou o hospital a indenizar a vítima por danos morais e materiais.

A paciente é Maria José Bandeira de Almeida. Em 2 de abril de 2024, ela foi ao Hospital do Coração do Brasil (HCBr), na Asa Sul (DF), para realizar uma cintilografia com estresse farmacológico, exame que determina a distribuição de sangue no tecido do coração em ritmo acelerado.

Neste tipo de exame, o paciente é submetido a um estresse causado por um medicamento para que haja a avaliação em ritmo acelerado. Os remédios comumente utilizados são adenosina ou dipiridamol, mas Maria José acabou recebendo três ampolas de adrenalina (epinefrina). A quantidade exagerada causou infarto agudo do miocárdio tipo II na idosa em menos de três minutos.

A partir daí, o que deveria ter sido apenas um exame de rotina em um hospital que ela visitava há cerca de três anos se transformou em um tormento para o resto da vida de Maria José.

A idosa precisou ficar 11 dias internada e enfrenta transtornos físicos, mentais e financeiros para se recuperar do erro sofrido.

Laudo médico

A Justiça do DF designou um médico perito para elaborar um laudo pericial referente ao caso de Maria José. O documento confirmou ligação direta entre o erro na ministração do medicamento e do infarto sofrido pela paciente.

“A sucessão de eventos traumáticos — o infarto com risco de morte, o diagnóstico de uma arritmia crônica, o evento isquêmico agudo e a amputação desfigurante — foi a causa direta do grave dano psíquico observado na pericianda”, diz o laudo, assinado pelo médico perito o TJDFT Diego Viana Neves Paiva.

“A pericianda apresenta perda funcional estimada em 10%. Ademais, a presença de fibrilação atrial [arritmia cardíaca] implica na redução da expectativa de vida e elevação substancial do risco de eventos tromboembólicos futuros”, detalha o documento.

“Erro multiplicado”

O advogado da paciente, João Gabriel Guimarães, reitera a gravidade da superdosagem de adrenalina para a paciente em um exame onde este tipo de medicamento não deveria sequer ter sido utilizado.

“Adrenalina já seria uma medicação inadvertida na paciente, que já era cardiopata antes. Como foram ministradas três ampolas de adrenalina, foi um erro multiplicado por três”, avalia o advogado.

“Em casos de reanimação de pacientes, por exemplo, médicos costumam utilizar metade de uma ampola de adrenalina. No exame da Maria José, foram usadas três ampolas em um fluxo contínuo, diferente do que é feito na cintilografia, onde a adenosina ou o dipiridamol são ministrados em um fluxo lento.”

“Além da dor física de um infarto, ela teve vômitos, incontinência urinária, desmaios. E não só isso: toda essa situação levou um dano à família que, de forma secundária, acaba sendo impactada até hoje”, relata João Gabriel Guimarães.

Além dos R$ 300 mil de indenização por danos morais, o hospital foi condenado a pagar, de forma vitalícia R$ 5.576,98 mensais à Maria José a título de danos materiais para compensar os gastos da vítima com plano de saúde, medicamentos e cuidadores.

O advogado considerou justa a decisão judicial, assinada pela magistrada Delma Santos Ribeiro, da 15ª Vara Cível de Brasília. “A condenação de R$ 300 mil é mais do que necessária quanto à imperícia e/ou negligência apresentada pelo Hospital do Coração”, pontua. “Nos dois últimos anos, Maria José arcou com todos seus custos médicos, de transporte. Por tudo isso e para os futuros gastos, é justa a pensão de R$ 5 mil.”

“De maneira geral, a decisão traz esperança no que tange a danos morais. Para a nossa justiça, tem-se um entendimento de valores ínfimos, irrisórios, para danos morais mesmo em situações gravíssimas. A sentença traz uma nova análise do significado erro médico.”

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Outro lado

O Hospital do Coração do Brasil pode recorrer da decisão. O Metrópoles aguarda retorno da Rede D’Or São Luiz, que administra o HCBr. Em caso de manifestação, a reportagem será atualizada.

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