A conta que atestou fraude milionária em “hospital fantasma”

Escrito por: Diógenes Cunha

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A investigação da Polícia Federal, referendada pelo STF aponta indícios de irregularidades na licitação de R$ 69,3 milhões para o Hospital Geral Municipal de Macapá. O fator central é a coincidência de 117 Composições de Custo Unitário (CCU) idênticas entre o orçamento interno da prefeitura e a proposta vencedora, sugerindo acesso prévio a informações privilegiadas.

Os documentos indicam que o orçamento da obra foi elaborado pela empresa Line Projetos, contratada pela Secretaria Municipal de Saúde, e que esse orçamento deveria permanecer sigiloso para evitar que concorrentes usassem parâmetros da administração. A coincidência de números, segundo a decisão, reforça a leitura de que a proposta da vencedor teria sido replicada do orçamento da prefeitura, em vez de resultado de levantamentos independentes.

Outro aspecto observado diz respeito ao desconto de 2,78% aplicado pela Santa Rita Engenharia na negociação. A proposta inicial era de R$ 75,1 milhões, reduzida para R$ 69,3 milhões por esse desconto linear, aplicado de forma uniforme sobre itens relevantes. Peritos destacaram que esse percentual bate exatamente com o parâmetro usado pela própria administração municipal.

Os investigadores também ressaltaram que a proposta foi aceita sem questionamentos pela comissão de licitação, o que, segundo a PF, reforça a hipótese de direcionamento do processo, mesmo diante da complexidade técnica do contrato.

Apesar da participação de outras empresas, a Polícia Federal concluiu que elas não representaram concorrência efetiva. Muitas apresentaram lances inexequíveis, alimentando a tese de um ambiente de concorrência apenas formal.

Na análise, o edital recebeu cláusulas consideradas restritivas, como a vedação a consórcios — apontada pela STF como desarrazoada e contrária a entendimentos de órgãos de controle. Além disso, critérios técnicos exigidos não pareciam diretamente relacionados à obra, funcionando como filtro para reduzir a participação de concorrentes.

Em síntese, a investigação aponta para o uso de informações privilegiadas, favorecimento na licitação e restrições que reduziram a competição, levando à conclusão de que o grande certame não foi conduzido de forma plenamente transparente. A obra, que não chegou a ser iniciada, permanece no centro de questionamentos sobre integridade na gestão pública.

E você, quais são suas impressões sobre esses indícios de irregularidade? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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