Justiça anula licença para instalação de tirolesa no Pão de Açúcar

Escrito por: Diógenes Cunha

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A Justiça Federal anulou a licença para a instalação da tirolesa que ligaria os morros do Pão de Açúcar e da Urca, no Rio de Janeiro. A decisão foi proferida após ação do Ministério Público Federal e determina que não haja continuidade da obra. Além disso, fixou um prazo de até 60 dias para apresentar um plano de recuperação da área degradada e estabeleceu a indenização de R$ 30 milhões a ser revertida ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

A sentença é da 20ª Vara Federal do Rio de Janeiro, assinada pelo juiz Paulo André Espírito Santo Manfredini. Os réus na ação são o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Companhia Caminho Aéreo do Pão de Açúcar (CCAPA). A decisão reconhece que atos administrativos que concederam a licença não tiveram motivação adequada e não passaram por amplo debate público.

Segundo o juiz, houve vício insanável de motivação insuficiente e ausência de debate público adequado nos atos que embasaram a autorização para a instalação da tirolesa, o que justifica, na prática, a anulação da licença. A decisão aponta falhas no processo administrativo do Iphan que comprometeram a validade do ato licitatório e da autorização concedida.

Com a determinação, fica suspenso qualquer avanço do projeto de tirolesa. A Justiça ordena que a CCAPA, ou os responsáveis, apresentem, em até 60 dias, um plano detalhado de recuperação da área degradada, incluindo a retirada de estruturas provisórias, resíduos e demais elementos que tenham ficado ao longo da obra. O objetivo é restaurar o cenário original da região e mitigar danos ao meio ambiente e ao patrimônio natural.

Na decisão, o magistrado destaca a importância ambiental e cultural do local, considerado um patrimônio de valor inestimável tanto para a população da cidade quanto para pessoas de outras regiões do país e do mundo. A indenização de R$ 30 milhões foi atribuída aos réus a título de danos morais, com o montante sendo revertido ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, uma DSF destinada a proteger bens de interesse coletivo.

A decisão reforça a dimensão pública do patrimônio do Pão de Açúcar, ao prever que o valor indenizatório represente a responsabilidade pela degradação causada e pela necessidade de recuperar o espaço para a cidade, para os moradores e visitantes, sem a continuidade de intervenções que possam comprometer o equilíbrio ambiental e histórico da região.

O caso traz à tona o embate entre investimento privado e proteção de um marco natural de referência para o Rio de Janeiro. A Justiça enfatiza que futuras iniciativas devem passar por avaliação criteriosa, debate público e motivação robusta, com vistas a preservar o patrimônio e o bem-estar da população. Quais são suas opiniões sobre esse desfecho e as ações de recuperação propostas? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e participe da conversa sobre o futuro do Pão de Açúcar e da Urca.

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