Justiça de SP condena criminalista que chamou Moraes de ‘advogado do PCC’

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou, nesta terça-feira, 24, a condenação do criminalista Celso Machado Vendramini por chamá-lo de “advogado do PCC” durante uma sessão do Fórum Criminal da Barra Funda, em junho de 2023. O juiz manteve a indenização de R$ 50 mil por danos morais ao ministro Alexandre de Moraes, ressaltando que a defesa do condenado não pode justificar ofensa ao magistrado. Moraes foi representado pelo escritório Barci de Moraes, da esposa dele, Viviane Barci de Moraes.

O caso ocorreu durante a defesa de dois policiais militares acusados de matar suspeitos de roubo. Em meio ao julgamento, Vendramini proferiu declarações que extrapolaram a defesa técnica, incluindo expressões como “Estão censurando este País aqui”, “não sou bolsonarista” e “eu não tenho medo dele (Alexandre de Moraes), nem de ninguém”. Ele ainda afirmou que, se alguém não gostasse, deveria processá-lo e chegou a afirmar que poderia falar de quem quisesse. Em determinado momento, atribuiu a Moraes a condição de “advogado do PCC” e mencionou uma suposta ausência de audiência de custódia em janeiro.

O relator do acórdão, Mário Chuvite Júnior, sustentou que as afirmações ultrapassaram o limite da imunidade profissional. Segundo o voto, as falas mostraram carga ideológica e cunho pessoal ofensivo, com trechos captados pela mídia e registrados em ata, indo além de mera retórica defensiva. A decisão destacou que o conteúdo do pronunciamento não tratava do julgamento em questão, mas sim de convicções e ataques pessoais que atingiram a honra do ministro.

Vendramini defendeu a imunidade profissional e o exercício de suas funções, argumentando que suas críticas tinham base legal. Contudo, o tribunal rejeitou o recurso de apelação e manteve a condenação de primeira instância, fixando a indenização por danos morais em R$ 50 mil. A defesa também enfatizou que o objetivo era a crítica dentro do exercício profissional, mas o TJ-SP entendeu que as falas extrapolaram esse âmbito, desbordando a liberdade de expressão no ambiente judicial para ataques pessoais.

A decisão evidencia o peso que a Justiça dá ao discurso público de profissionais do direito durante atos judiciais, especialmente quando envolve figuras de alta relevância institucional. Para o público, fica o claro recado de que imunidades profissionais não cobre ofensas direcionadas a ministros ou ataques ideológicos durante sessões oficiais. A condenação, portanto, serve como referência sobre limites entre defesa técnica e agressões verbais em espaços judiciais. Comente abaixo sua leitura sobre o equilíbrio entre imunidade profissional e responsabilidade no discurso público.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Chuvas intensas devem atingir o estado de São Paulo no fim de semana do pleito

Resumo: Defesa Civil de São Paulo alerta sobre tempo instável durante as eleições deste fim de semana, com pancadas de chuva previstas...

Deepfakes proibidos avançam nas redes sociais antes das eleições

Resumo: Durante a campanha do 1º turno das eleições gerais de 2026, o projeto VigIA, em parceria com a Unicamp/Recod.ai, mapeou 554 deepfakes...

Transporte público é gratuito no dia da eleição; veja como funciona

Resumo: Em 4 de outubro de 2026, o primeiro turno das eleições terá transporte público gratuito em várias cidades do Brasil. Amazonas (Manaus)...