Câmeras de segurança registraram o momento em que a técnica de enfermagem Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, tentou sair do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, carregando um recém-nascido. O caso aconteceu em 28 de março, mas as imagens só foram divulgadas nesta segunda-feira (6/4).
Veja a ação:
Eliane foi filmada carregando o bebê no colo, enquanto circulava dentro do hospital. Na primeira gravação, a técnica de enfermagem é vista caminhando por um dos corredores da unidade de saúde. Ela aparece, inclusive, virando de costas e olhando para um grupo de pessoas por quem passar no trajeto.
No vídeo seguinte, Eliane transita por outro setor do hospital, até ser abordada por uma vigilante que estava sentada na ala.
Nesse momento, a profissional é contida e aparece retornando para a ala de obstetrícia, com o recém-nascido, acompanhada pela funcionária da segurança.
Posteriormente, a técnica de enfermagem foi presa em flagrante e conduzida para a delegacia.
A criança havia nascido há poucas horas, enquanto a mãe permanecia desacordada no pós-operatório. Aos seguranças e policiais, Eliane afirmou que a ação se tratava de uma “brincadeira”.
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“Atitude suspeita”
Em depoimento na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), uma das vigilantes relatou que estava em seu posto quando viu a técnica deixando o setor obstétrico em atitude suspeita.
Ao notar a movimentação, a vigilante se levantou e questionou o destino da funcionária, que inicialmente ignorou o chamado e seguiu caminhando. A abordagem só foi concluída após a aproximação de uma segunda vigilante, que deu apoio à ação.
Ao ser confrontada pelas seguranças sobre o que carregava, Eliane revelou tratar-se de um bebê. Segundo uma das vigilantes, a técnica teria sorrido e afirmado: “Parabéns, você passou no teste”.
De acordo com relato da vigilante, Eliane insistiu que se tratava de uma “brincadeira” ou simulação para testar a eficiência da vigilância hospitalar, repetindo frases de elogio à segurança enquanto retornava ao setor.
A vigilante disse que, devido à gravidade da conduta acionou imediatamente o registro de ocorrência e a supervisão. Ela também contou que Eliane apresentou-se abalada, chorou e pediu desculpas, alegando estar passando por problemas pessoais.
Por sua vez, o superior de Eliane esclareceu aos policiais que nenhum técnico de enfermagem tem autonomia para retirar um recém-nascido do setor sem autorização e acompanhamento do enfermeiro responsável e do médico pediatra.
Ele também enfatizou que, caso houvesse necessidade de remoção para exames ou UTI, seria montada uma estrutura com maleta de parada cardíaca, medicamentos e equipe multiprofissional, o que não ocorreu no caso em questão.
Técnica negou acusações
A técnica de enfermagem negou qualquer intenção de subtrair o recém-nascido ou de retirá-lo das dependências do hospital.
Ouvida pelos policiais, ela relatou que estava em seu plantão de 12 horas e, após uma cirurgia cesariana, prestava assistência a um bebê que apresentava quadro de hipoglicemia.
Segundo Eliane, em um momento de descontração com uma colega de equipe, teria dito em tom de brincadeira: “Será que os seguranças falam alguma coisa se eu sair com o bebê?”.
Eliane afirmou que abriu a porta do setor e caminhou apenas alguns metros, permanecendo dentro da área hospitalar e sem a intenção de cruzar a portaria externa.
A técnica declarou que, após a interação com a segurança, retornou à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (RPA), entregou o bebê à mãe e verificou se o leite solicitado para a correção da glicemia já havia chegado.
Ela também disse que salientou à colega de trabalho sobre a “brincadeira” realizada. Eliane também ressaltou que trabalha na área da saúde há vários anos, estando há três anos no Hospital de Santa Maria e com passagens por outras unidades materno-infantis.
Declarou ainda que seria incapaz de praticar qualquer ato que prejudicasse seu emprego ou a segurança dos recém-nascidos sob seus cuidados. Ela atribuiu o ocorrido a um erro de julgamento em um momento que considerou ser de descontração, sem dolo criminal.
Diante da existência de elementos que corroboraram e provaram a existência dos delitos, bem como da autoria, a técnica de enfermagem foi indiciada pela 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) por subtração de incapaz.
Proibida de se aproximar do hospital
Eliane passou por audiência de custódia em 29 de março e teve a liberdade provisória concedida pela Justiça do Distrito Federal.
A técnica de enfermagem está proibida de acessar qualquer unidade neonatal, maternidade, centro obstétrico ou berçário em qualquer unidade de saúde, pública ou privada, durante todo o curso do processo.
Além disso, ela deve manter uma distância mínima de 300 metros do Hospital de Santa Maria e não pode ter qualquer tipo de contato com a mãe da criança ou com os profissionais de saúde e vigilantes que testemunharam o ocorrido.

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