Duas vereadoras de Juazeiro, alvo da Operação Promitente da Polícia Federal, são investigadas por suspeita de fraude no sistema de cotas de gênero. Anderson Alves da Cruz, conhecido como Anderson da Iluminação, e Hitallo Rodrigues Marcelino acumulam entre dois e quatro mandatos na Câmara Municipal. A apuração aponta irregularidades na distribuição de recursos da cota eleitoral, com impacto sobre candidaturas e mandatos conferidos de forma legítima.
Anderson Alves da Cruz, 48 anos, é o parlamentar com maior tempo de atuação entre os citados, em seu quarto mandato. Ele foi eleito pela primeira vez em 2012 pelo PP, foi reconduzido em 2016 e, em 2020, retornou como suplente. Em 2024, já filiado ao União Brasil, obteve 1.550 votos, ocupando a 19ª posição entre as 21 cadeiras disponíveis na Câmara Municipal de Juazeiro.
Hitallo Rodrigues Marcelino, de 34 anos, está no segundo mandato consecutivo. Ele foi eleito em 2020 pelo Democracia Cristã e, em 2024, já atuando pelo União Brasil, permaneceu no Legislativo. Na eleição mais recente, Hitallo recebeu 2.831 votos, a segunda maior votação do pleito em Juazeiro, e hoje preside a bancada do União Brasil na cidade.
As investigações indicam que os dois vereadores teriam fraudado o sistema de cota de gênero ao remunerar mulheres recrutadas para figurar como candidatas formais, sem participação real na campanha, inclusive recebendo recursos da cota eleitoral. Ainda segundo a apuração, após a fraude, eles, com o advogado do partido, teriam solicitado que uma das mulheres envolvidas reconhecesse a irregularidade em cartório. A manobra visava beneficiar um suplente, o que poderia levar à perda do mandato de um candidato eleito de forma legítima.
A denúncia envolve a utilização de recursos da cota de gênero, prática que prejudica o processo democrático e a legitimidade dos mandatos. A apuração segue em curso, com a PF e o Ministério Público monitorando os desdobramentos. Juazeiro, no Sertão do São Francisco, fica em alerta com o caso, que envolve o papel da União Brasil na cidade e a atuação de seus dirigentes locais.
O caso reacende o debate sobre transparência, responsabilidade de vereadores e o funcionamento de cotas eleitorais, que buscam ampliar a participação de mulheres na política, mas podem ser instrumentalizadas de forma inadequada. A cidade de Juazeiro acompanha cada etapa da investigação e as consequências potenciais para a Câmara Municipal. Deixe aqui seu comentário com opiniões e perguntas sobre o tema, para enriquecer o debate público.

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