Líderes cristãos dos Estados Unidos alertam que a repressão à imigração, promovida pela administração de Donald Trump, está pressionando igrejas em diversas regiões do país. Um ano após a publicação de um relatório conjunto que aponta que a maioria dos imigrantes vulneráveis à deportação são cristãos, autoridades religiosas destacam impactos diretos sobre congregações: pastores têm sido detidos ou vivem sob risco de deportação; comunidades de fé relatam fechamento ou redução de frequência e, em alguns casos, transformam seus espaços em centros de ajuda humanitária.
A denúncia ganhou eco em uma coletiva de imprensa envolvendo líderes evangélicos e católicos, com participação de entidades como World Relief, a Associação Nacional de Evangélicos (NAE), a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA e o Center for the Study of Global Christianity do Gordon-Conwell Theological Seminary. Além disso, dados da Lifeway Research mostraram que a maioria dos pastores protestantes apoia a imigração legal e o reassentamento de refugiados, ainda que as opiniões diversem quanto às deportações.
Walter Kim, presidente da NAE, lembrou que comunidades imigrantes ajudaram a conter o secularismo religioso em áreas onde a prática religiosa tem sido desafiada. Em suas lembranças, ele citou a experiência de Boston, onde, mesmo em uma região historicamente menos religiosíssima, o crescimento de igrejas vinculadas a imigrantes da América Latina, da África e da Ásia cresceu nos últimos anos. Kim criticou a política de fiscalização de imigração como uma força que transforma o cenário religioso, agravando o medo entre fiéis e dificultando o plantio de novas congregações.
O reverendo Gabriel Salguero, líder da Coalizão Evangélica Hispânica Nacional, afirmou que ações de fiscalização indiscriminadas estão fechando igrejas de imigrantes e prejudicando iniciativas de serviço comunitário. Ele citou casos de pastores vinculados a comunidades de Elizabeth, em Nova Jersey, presos em centros de detenção na região de Newark, e de Brevard County, na Flórida, onde um líder detido manteve a família com a ajuda de uma tornozeleira eletrônica. Salguero descreveu campanhas de arrecadação de fundos, incluindo uma GoFundMe, que acompanha a situação de alguns deles, e relatou que, em alguns momentos, o asilo religioso ainda depende de etapas legais em andamento.
Entre os relatos apresentados está o de Alfredo Salas, que optou por autoexiliar-se para o México em meio a temores gerados pela política de imigração. Salas, que atuou como líder religioso na região de Chicago, enfrentou desafios de regularização após eventos familiares que o levaram a retornar ao México. Em paralelo, Isabel Estrada, naturalizada há décadas, divide seu tempo entre os EUA — onde reside a filha — e o México, revelando a instabilidade enfrentada por famílias inteiras sob a jurisdição migratória atual. Em Minneapolis, o pastor Victor Martínez relatou uma queda de 80% no comparecimento à igreja desde o ano anterior, sinalizando o risco de fechamento de algumas comunidades religiosas locais.
Além disso, o grupo ressaltou que muitas igrejas, especialmente aquelas com vocação multiétnica, enfrentam o trauma de ver fiéis e vizinhos lidarem com medo constante, o que se reflete na necessidade de reorganizar atividades de assistência social, como despensas comunitárias, aconselhamento familiar e cultos, para manter o trabalho humanitário independente das pressões migratórias. Em síntese, a pressão de fiscalização está remodelando o panorama do cristianismo nos EUA, afetando desde o culto tradicional até novos esforços de plantio de igrejas e serviços à população vulnerável.
E você, como percebe o impacto dessas políticas na vida das cidades onde mora? Deixe seu comentário com sua opinião sobre o papel das igrejas e das lideranças religiosas diante de questões migratórias e de integração. Sua leitura pode abrir novas perspectivas sobre como comunidades locais podem responder de forma humana e solidária, mesmo diante de mudanças políticas sensíveis.
