Resumo: a Oncoclínicas enfrenta um racha entre acionistas e o conselho sobre a venda da rede ao Fleury-Porto e à Porto Seguro. O executivo Marcelo Gasparino deixou a presidência da cúpula, em meio a tensões que ganham força com críticas da Mak Capital, que detém participação relevante na empresa. Atas de reuniões de março revelam divergências entre conselheiros independentes sobre a condução do negócio, além de debates sobre liquidez e a necessidade de reforçar controles. A saída da diretora de Relações com Investidores, Camille Loyo Faria, também aparece como sinal dessas fricções. A companhia ainda não se posicionou oficialmente.
Segundo fontes próximas, a Mak Capital elevou o tom na carta enviada aos conselheiros, classificando a situação da Oncoclínicas como crítica, com riscos de liquidez imediatos e relatos de problemas crescentes no atendimento a pacientes. A gestora, que detém 6,3% do capital, discutiu a possibilidade de um pedido de recuperação extrajudicial, desde que fosse amplamente debatido com um novo conselho e com sugestões de integrantes para o colegiado.
As atas divulgadas pela CVM, referentes aos dias 13 e 15 de março, revelaram a dissidência de dois conselheiros independentes, Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos. Eles contestaram a não gravação das reuniões, prática que contrastava com encontros anteriores, e levantaram dúvidas sobre a proposta de aquisição apresentada pelo grupo Fleury-Porto, sob avaliação da cúpula.
Os dissidentes ainda citam estudos de assessores financeiros que, segundo eles, indicam inviabilidade da empresa que sobrasse após a venda. Eles afirmam que não seria viável pagar a dívida principal e os juros, estimados em R$ 1,5 bilhão, enquanto o total de débitos da companhia alcança cerca de R$ 4,2 bilhões.
Na reunião de 13 de março, Grodetzky e Matos também questionaram um pagamento que, segundo eles, privilegiaria o banco Original em detrimento de outros credores em meio a um cenário de escassez de recursos, reforçando o clima de confronto entre governança e credores.
A renúncia da executiva Camille Loyo Faria, anunciada pouco mais de 48 horas após a divulgação do acordo de venda com Fleury-Porto, também alimenta o debate. Faria deixou o posto por divergências na minuta do texto que anunciaria a operação, segundo os conselheiros dissidentes, que afirmam ter encontrado excesso de informações na versão apresentada. A versão final foi assinada por outro executivo.
A assessoria de comunicação da Oncoclínicas não se pronunciou até o momento, mantendo o tema sem resposta oficial e alimentando a apreensão sobre o andamento da venda, a governança da companhia e o futuro da rede de clínicas. O tema segue em análise pela imprensa e pelos reguladores, sem esclarecimentos formais até agora.
E você, leitor: qual é a sua leitura sobre esse conflito de governança e a avaliação de uma venda de uma rede de saúde tão expressiva no cenário brasileiro? Compartilhe suas opiniões nos comentários, indique quais aspectos da governança corporativa devem ser fortalecidos e como isso pode impactar pacientes, investidores e a região onde a empresa atua.
