Em uma sessão do Supremo Tribunal Federal que discute o formato de eleição para o mandato-tampão do governo do Rio, o ministro Gilmar Mendes afirmou, sem detalhar nomes, que entre 32 e 34 parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebem mesadas do jogo do bicho. Mendes disse ter ouvido essa informação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acrescentando que a revelação veio em meio aos debates sobre a crise política estadual.
Durante o mesmo encontro, o ministro criticou a situação político-administrativa do estado e abriu espaço para uma leitura dramática do momento, chegando a reproduzir uma citação em espanhol para dizer que o Rio está “longe de Deus” e “próximo das milícias e do crime”. A declaração chamou a atenção de assessores e parlamentares presentes, ampliando o tom de alerta sobre a credibilidade das instituições locais.
Ainda segundo Mendes, o diretor-geral da PF não se manifestou sobre a afirmação apresentada na sessão nem sobre a notícia publicada pela imprensa de que ele teria participado de um evento em Londres, em 2024, com despesas custeadas por organizadores ligados ao Banco Master. O episódio envolve a alegação de financiamento privado para despesas do dirigente, o que gerou desconforto entre oposicionistas e líderes políticos.
O evento em Londres contou com o apoio de empresas privadas, incluindo o banco do empresário Daniel Vorcaro, e cobriu hospedagem, alimentação e transporte do diretor da PF. A revelação provocou reação política, com o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, encaminhando um pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela exoneração imediata de Andrei Rodrigues, citando risco à credibilidade institucional.
A controvérsia ocorre em um momento de mobilização do STF sobre o formato de eleição para o governo do Rio e de tensões entre Poderes diante de acusações e informações levantadas no âmbito das investigações. As declarações de Mendes e as perguntas sobre a participação de atores públicos em eventos financiados por setores privados colocam em foco a importância de transparência e responsabilidade na atuação de autoridades.
Convido você, leitor, a deixar sua opinião nos comentários: qual deveria ser o encaminhamento adequado para apurar essas acusações e como a sociedade pode cobrar mais transparência das instituições do Rio de Janeiro?
