Resumo: O Banco Master declarou ter pago R$ 5,125 milhões ao economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, segundo relatórios da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado. O material também aponta para pagamentos a outras personalidades e revela ligações entre o setor financeiro e figuras públicas. Loyola atuava como consultor macroeconômico, e o caso envolve possíveis operações entre o Master e o BRB, gerando debate sobre a relação entre bancos privados e autoridades.
Segundo os documentos da Receita Federal, apresentados à CPI do Crime Organizado, as informações foram corroboradas pelo Metrópoles, que mostrou que o Master também declarou pagamentos ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, à família do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e a ex-ministros como Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. O acervo indica uma rede de vínculos entre consultorias, bancos e figuras públicas, alimentando o debate sobre a participação de especialistas em decisões de mercado.
Loyola afirmou à coluna que sua participação em um comitê consultivo do Master, ao lado de Meirelles e Lewandowski, era conhecida. “Era um pouco isso, olhar as coisas de mercado. Não era uma coisa que avaliasse outros aspectos, a não ser oportunidades de mercado”, explicou. A leitura é de que o foco da atuação era macroeconomia e análise de cenários, não questões institucionais mais amplas.
Além disso, Loyola é diretor-presidente da Tendências Consultoria, em sociedade, entre outros, com o ex-ministro Mailson da Nobrega. Mas foi contratado pelo Master a partir da Gustavo Loyola Consultoria LTDA, empresa dele em sociedade com o filho, sendo sócio majoritário com participação de 99%. A relação profissional com o Master inclui uma estrutura de prestação de serviços que faz parte do seu portfólio há anos, consolidando uma ponte entre consultoria pública e privada.
A consultoria do economista para o Master teve início em meados de 2023 e era remunerada por depósitos mensais de R$ 250 mil. No total, o ex-presidente do BC teria recebido R$ 1,250 milhão em 2023, com o valor dobrando nos anos seguintes, 2024 e 2025, resultando na soma apontada de R$ 5,125 milhões em pouco mais de dois anos. O registro de pagamentos reforça o tema de que consultorias de especialistas de renome têm papel relevante para planos e operações de bancos privados.
Em 2025, enquanto mantinha vínculos com o Master, Loyola concedeu entrevista defendendo que a aquisição do Master pelo BRB poderia ser benéfica para “todo mundo”. À coluna, ele afirmou que avisou o entrevistador sobre sua relação com o banco de Daniel Vorcaro e que não possuía informações sobre as transações entre Master e BRB. “Eu nem sabia que o Master vendia carteira para o BRB. A única coisa que eu sabia é que essa operação estava sendo feita, de compra e venda, e que esse tipo de operação é muito comum”, afirmou.
As informações apresentadas colocam em foco a complexa intersecção entre consultoria econômica, interesses de instituições financeiras e o papel de autoridades públicas. Embora haja detalhes sobre pagamentos e vínculos, o conjunto de documentos indica a necessidade de apuração cuidadosa para esclarecer a natureza dessas relações e eventuais impactos no mercado e na governança das instituições envolvidas.
E você, leitor, como interpreta esse cenário de interação entre bancos, consultoria e figuras públicas? Comente suas opiniões sobre os impactos de contratos de consultoria de alto valor e sobre a relação entre instituições financeiras e autoridades, mantendo o debate aberto e responsável.
