Resumo rápido: Hakim Ziyech, 33 anos, respondeu publicamente às ameaças do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, com a afirmação de que “o sionismo não o assusta”, em meio a uma escalada de tensões envolvendo uma nova lei que prevê a pena de morte para atos terroristas. O episódio ocorre enquanto o jogador, em atuação pelo Wydad Casablanca, reforça sua posição pública a favor da causa palestina e se junta a um debate que envolve críticas de organismos internacionais e ações de atletas em defesa de sanções esportivas contra Israel.
O episódio teve início na noite de terça-feira, 8 de abril, quando Ziyech publicou a réplicas às críticas e ameaças feitas pelo ministro Ben-Gvir, após o político celebrar uma decisão legal que gerou controvérsia. Em resposta, o jogador escreveu que “não temos medo do sionismo”, destacando-se como uma voz ativa do esporte internacional em defesa da Palestina. A troca de provocações refletiu o desgaste entre atletas que mixam atuação esportiva com posicionamentos políticos de forte repercussão.
A reação de Ben-Gvir não tardou. O ministro acusou Ziyech de antissemitismo e deixou claro que “Israel não lidará mais com cautela com seus inimigos”, acrescentando que o jogador “não escapará”. O episódio evidencia como o campo esportivo tem sido palco de debates sobre identidades, segurança e legitimidade de críticas a políticas públicas de Israel, em meio a uma campanha que envolve também críticas a ações governamentais de repressão.
A nomeação de uma nova lei, que prevê pena de morte para condutas terroristas, também suscitou críticas de fora de Israel. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, em especial, apontou que a medida pode violar o direito internacional e até configurar um crime de guerra por punições desiguais. Trata-se de uma tensão que alimenta o desconforto entre autoridades internacionais, atletas e organizações de direitos humanos diante de uma situação de conflito regional persistente.
Trajetória e posicionamento político
- Aos 33 anos, Ziyech vive uma nova fase no Wydad Casablanca, um dos principais clubes do Marrocos.
- Formado no futebol neerlandês, ganhou projeção com o Ajax, ajudando a levar a equipe à semifinal da Liga dos Campeões em 2019.
- Suas conquistas o levaram ao Chelsea, onde conquistou a Liga dos Campeões em 2021. Passou também pelo Galatasaray antes de retornar ao futebol africano.
- Consolidou-se como uma voz ativa em defesa da causa Palestina, com publicações e posicionamentos críticos a ações de Israel desde o início dos conflitos na região.
- Em uma de suas referências públicas, citou o ativista Malcolm X para alertar sobre o papel da mídia na percepção de opressões e opressores.
- Durante a apresentação no Wydad Casablanca, integrou cantos da torcida em apoio à Palestina, reforçando seu engajamento além das quatro linhas.
Convergindo carreira, posicionamento e ações solidárias, Ziyech se consolidou como figura pública de grande visibilidade. Em paralelo à trajetória no futebol, ele se envolve em atividades que buscam influenciar políticas esportivas e humanitárias, defendendo o direito à autodeterminação do povo palestino e questionando narrativas que, para ele, perpetuam desinformação sobre o conflito.
A comunidade esportiva continua dividida entre a preservação do espaço competitivo e o papel social de atletas que usam sua plataforma para defender causas humanitárias. O debate, agora mais intenso, é alimentado por declarações públicas, ações de governança e por uma imprensa global atenta aos impactos políticos das ações de atletas de renome.
E você, leitor, qual é a sua visão sobre o papel de atletas no debate político dentro do esporte? Acredita que o espaço esportivo deva permanecer distante de questões políticas ou que a voz de figuras públicas pode (e deve) influenciar políticas e direitos humanos? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião.




